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| Nome: Ador�veis Drag�es |
| Idade: Na flor dos 25 |
| Moro em: Pernambuco. |
| Gosto de: Cerveja, cinema, boa conversa, boa literatura e, sem falso moralismo, sexo |
| N�o Gosto de: Gente besta |
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13/11/2008 17:13
Voltando para o mundo....
enviada por Adoráveis Dragões
12/05/2007 17:07
A palavra que eu busco
Navega muda em meu semblante
Com se procurando um significado
Para tudo que eu quero falar, mas calo.
Quero-a pulsante em meus lábios
Descrevendo histórias dantescas sobre o mundo
Mas ela parece inerte e morta
Como não se encontrasse mais em mim.
Então eu grito pela palavra
E ela me sela os lábios, absurda
Censurando-me as dores da alma
Me pedindo calma, enquanto eu urro.
Pois a palavra, agora estática
Quer abandonar minha alma ao léu
Para que eu cale o furacão que habita em mim.
Então eu luto, enlouquecida,
Pelo direito de gritar meus rancores
E de expurgar minhas dores através da palavra
Que parece atravessar a rua sem ao menos notar meu desespero.
Desespero de quem se cala
Como calam aqueles que têm culpa
Como calam aqueles que não têm nada.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
16/03/2007 11:38
Sinta a brisa
Circula seus cabelos
Refresca seu corpo
Toma um caminho, se vai
Sinta a saudade
Circula meu entorno
Revolve mil lembranças
Sufoca um caminho, me esvai
O vento da paixão
Não tem rumo certo
Acordou o meu sossego
Pensei que ficaria, se foi
O vento nos encontra
Em seu rumo incerto
Decide recuar
Com seu rumo incerto, se esvai
Desarruma meu quarto
Desforra a cama
Sopra terra no jardim
Arranca flores, se vai
Descruze o abraço
Abro os meus braços
Todo dia ao amor
Toma este caminho, não vai
Sente o clima
O calor da minha pele
Oferece a tempestade
E o abrigo seguro, então vem
Parceria Catarina e Leonardo
enviada por Adoráveis Dragões
16/03/2007 10:26
Saudades de todos que lêem este blog ;)
enviada por Adoráveis Dragões
13/03/2007 17:07
E quando as palavras
falam mais do que deveriam dizer,
a gente cala a boca, tentando detê-las, contê-las,
para que não saiam, enlouquecidas,
destruindo tudo em seu caminho.
Por que palavras são seres malignos
que vivem dentro de nossos espelhos interiores,
à espera do momento exato em que irão destroçar
completamente todas aquelas ilusões idiotas
que acabamos criando sobre nós mesmos.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
09/03/2007 12:12
- Enfia isso aí dentro. Vai logo!
- Puts.. tu não tais vendo que não cabe?
- Como assim, não cabe? Já coube outras vezes, por que não caberia agora?
- Ah.. sei lá... só sei que não dá.
- Dá sim, empurra com mais força que entra.
- Ai, droga...
- Que foi?
- Me machucou né.. não sei pra quê tanta violência..
- Violência? Eu não fiz nada, só empurrei.
- É.. mas eu te disse que não cabe
- E se a gente virar de cabeça pra baixo?
- Não vai adiantar, já lhe disse que ta apertado..
- Nem de ladinho...? Aqui ó.. nesse cantinho
- Ta apertado..
- Você quer parar de dizer que ta apertado e encontrar uma solução?
- Querido, não tem solução, ta apertado..
- Eu quero saber como foi que apertou assim, de uma ora pra outra
- Vai ver que cresceu...
- Cresceu? Nunca vi isso, crescer.. Pega aqui.. Tá vendo? Não cresceu
- Bom... se ta apertado agora e antes não tava é por que cresceu...
- Droga.. e se a gente colocar atrás?
- Nem pense nisso!
- Oxe, mas por que?
- Por que não! Não ta vendo que não entra?
- E por que não entra?
- Por que aí é muito pequeno...
- Eu não acho tão pequeno assim...
- O que? É pequeno sim.. é minúsculo! Não ta vendo?
- Não exagera vai...
- ....
- Ok, ok..... enfia lá na frente mesmo, então
- Já disse que não cabe!
- Quero saber como não cabe....
- Não cabendo e pronto.. deixa essa merda de fora mesmo..
- Deixar de fora? Nem pensar.. e eu, como fico?
- Ahhh meu Deus...
- É sério, como é que eu fico?
- Você sobrevive a um fim de semana sem o seu play station. Só sei que no carro não cabe mais nada.
- ...
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
07/03/2007 12:24
Hoje eu vi um anjo. Ele estava sozinho, perambulando pelas ruas do Recife. Trazia no corpo, apenas uma túnica, mulambenta e maltrapilha, que me pareceu grande demais. Cabelos desgrenhados, soltos ao vento, pés descalços para sentir o chão, ainda úmido da chuva que caiu na noite anterior, e uma candura no olhar que me despertou as emoções mais profundas, me atacou o peito de súbito e fez desmanchar em lágrimas.
Ele vinha chutando pedrinhas no caminho, brincando com o que lhe convinha e parecia ver naquele ato tão simplório toda a grandeza do mundo. Estava compenetradíssimo. Sorria gostoso quando as pedrinhas obedeciam aos seus chutes desajeitados e dava pequenos pulinhos como se somente aquilo pudesse lhe fazer, naquele momento, o ser mais feliz, mais em paz, mais sereno.
Sentei-me no meio fio a fim de observá-lo mais atentamente. Não podia desperdiçar aquele instante único, aquela fração de segundos, na qual a felicidade se mostrava de forma tão despojada para mim. As poucas pessoas que passavam na calçada ainda vazia olhavam-me com estranheza, como se eu cometesse um crime ao parar a roda viva da vida por alguns poucos minutos. Continuei ali, sentada, vendo a vida de verdade acontecer, bem diante dos meus olhos.
O anjinho continuou a brincar, serelepe, agora pulando nas poças que se formaram nos desníveis da calçada. Quando ele gargalhava, eu gargalhava com ele, e brincava com ele e era feliz com ele. E, de repente, sem que eu percebesse, comecei a me ver naquele mulecote alado, relembrando das minhas peraltices de menina que andava somente de calcinha e descalça no meio da rua, soltando pipa, girando piões multicoloridos e subindo em árvores.
O anjo, então, parou e fixou seus olhos nos meus, aqueles olhos tão doces e meigos. Deu um sorriso safado e muito lindo e pôs-se a correr em minha direção. Quando estávamos tão perto que nossos calores quase se misturavam, ele estendeu a mãozinha e disse: vamos brincar comigo! Instintivamente, recuei do convite e explique que não poderia, pois estava muito velha para brincadeiras e tinha outros afazeres mais importantes. Ele baixou a cabeça, entristecido, fitando os pezinhos miúdos e bem sujinhos.
Mas a verdade era que eu quis brincar com ele. Pular nas poças de água, correr no meio da rua, chutar pedrinhas e não me preocupar com nada. Olhei para ele e perguntei onde morava. Ele levantou a cabeça, encolheu os ombrinhos e disse calmamente que não tinha casa, que morava logo, ali, na esquina, com a mãe e seus irmãos, que ainda dormiam. Depois sorriu, o maior sorriso do mundo, e disse: mas eu ainda posso brincar. Vamos brincar comigo?.
Apenas meus olhos conseguiram exprimir meu espanto. Ou seria revolta? Ou seria emoção, mesclando tudo isso e talvez outras coisas sobre as quais eu nunca poderia ter conhecimento? Segurei firmemente na mãozinha estendida diante de mim e fui pular as poças de água, chutar as pedrinhas, ser feliz. Naqueles poucos momentos, no meio de alguma rua no Centro do Recife, eu voltei a ser a criança que brincava serelepe, nas ruas de minha infância.
Então, sem dizer palavra, o anjinho foi-se embora, dando passinhos rápidos e curtos, equilibrando-se no meio fio, como se fosse um trapezista. Ele brincava com a vida e também brincou comigo. Quando perdeu o equilíbrio, virou-se sorridente, despediu-se e foi-se embora, para enfrentar a vida que o engolia todos os dias.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
06/03/2007 12:58
Ele, o fulano
Quando eu lutar com ele
Quero vencer, pois não agüento mais.
Punhos cerrados, lábios cravados
Para conter o grito mudo
Inibir os atos impensados
E extinguir as lágrimas
De quem já não tem paz.
Quando eu me fizer mais forte
Quando eu me fizer mais humana
Quero me livrar das dores
E dos rancores, E dos temores
Para não ficar lutando
Com monstros imaginários.
Enquanto isso, ele se diverte
Galanteando meus ouvidos
Com idéias fúnebres e pútridas
Sobre alguém que eu não quero e nem sou.
Quero libertar-me de suas garras as minhas
Não adotar mais suas máximas como preceitos
Não abrigar mais tanto escuro em meu peito
E poder berrar, desinibida, que não!
- eu já não agüento mais.
Mariana lira
enviada por Adoráveis Dragões
28/02/2007 08:30
Há que se ter tempo
para resgatar a infância
e relembrar dos sorrisos
quando tudo, então,
era uma grande brincadeira.
Preciso é se valorizar
as inconseqüências de atitudes inocentes,
como se estas fossem troféus de anos dourados,
que não voltam mais.
Vem, criança,
Brinca nos campos de minhalma
E desbrava os mistérios deste coração
- adulto, cansado, ferido.
Estampa a felicidade na boca infante
Corre, voa, flutua!
E Não se perca nos problemas de agora.
Vem, criança
Me ensina a andar com tuas pernas
Sem pressa, medos ou anseios.
Ensina-me a transformar as circunstancias da vida
Em pipas gigantescas, que voam serenas
Em direção aos céus..
Vem, criança
E me pega pelas mãos
Para que eu aprenda o caminho de volta
E não chore nunca mais.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
23/02/2007 15:33
Hoje, eu queria ser só minha
Chorar e sorrir sozinha
Para saber que não estarei só
Quando não vir ninguém ao meu lado.
Queria rasgar minhas horas
Com pequenas coisinhas
Que satisfazem somente a mim
E a ninguém mais.
Por que quando estou comigo
Não transformo desejo em expectativa
Nem exijo prerrogativas
De outrem ao meu lado
Agora, dentro do peito,
Corrói-me um coração cansado e dorido
Atordoado pelas infâmias
Da minha ansiedade inoportuna.
Sigo de mãos estendidas ao léu
Como se orasse a Deus
Pedindo para encontrar, enfim,
A minha paz que eu tanto busco.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
21/02/2007 16:02
ALFORRIA
Felicidade é fugaz
Minha alegria é ilusória
Por dentro, sempre um dor no peito
Uma alma florida de amargura
Uma cabeça curvada ao chão
De verter lágrimas insones
Querendo libertar-se desse corpo
Pede a Deus
Uma carta de alforria...
Por Catarina Raquel Rocha
enviada por Adoráveis Dragões
16/02/2007 16:24
Hoje vou valorizar quem me valoriza
Vou sair de casa
Ver minha tia Alaíde
Comer quitutes adocicados
Me encontrar com o vento
Que preenche o caminho
E roça minha pele
E acarinha meu rosto
E sentir o tempo no vazio
Do silêncio
Dos meus passos desacompanhados
Tranqüilos
E do pensamento
Vou atrás daquele beijo
De criança, de menina
De Maria
Espontânea e adoradeira
Que diz: és preferida! Preferida!
E escrever aquele amigo
Que me dá asas
E me manda prosseguir
E diz: Não pára! Não pára!
E à luz do sol
Que clareia os defeitos do meu rosto
Amar-me sem exageros
E reconhecer-me, na medida,
Iluminada
Para descobrir meu novo namorado:
O céu nublado
Que me conforta e me inspira
A ser forte, a ser poeta
A ser sozinha...
Por Catarina Raquel Rocha
enviada por Adoráveis Dragões
08/02/2007 09:51
Francisco sentou-se, despojado, à mesa que beira a passarela de Boa Viagem. Pediu ao garçom a cerveja costumeira, cruzou as pernas, nos lábios o velho cigarro, e pôs-se a esperá-la, como sempre. Já era conhecido até mesmo dos clientes mais cativos. Sabiam que, todos os dias, àquela mesma hora, Francisco repetia o ritual na esperança de avistá-la, por um segundo apenas.
A mulher que havia roubado toda a sua paz, destruído seus objetivos e feito dele ator coadjuvante de sua própria vida, lhe apareceu em sonho anos atrás, perfumando suas noites vazias com o cheiro safado da sua pele, canelada e febril. Ele passava o dia desejando estar entre suas coxas, solícitas e volumosas, ou sugando-lhe os lábios carnudos e muitos vermelhos. Sabia-se feliz somente nos seus sonhos, quando na presença extasiante dela.
Ele observava, tristonho, as moças desfilando desinteressadas pelo calçadão. Olhava bem fundo em cada um dos olhos, analisando cada centímetro dos corpos de suas musas desconhecidas, mas nunca encontrava os olhos dela. Quando a espera findava em nada, como, aliás, sempre acontecia, ele terminava a noite embriagado e choroso, na esperança vã e tola de encontrá-la em suas fantasias.
Naquele dia, não sentiu nada espetacular ou diferente. Acordou à hora de sempre, vestiu as mesmas roupas, cumprimentou o dono da padaria, após engolir, às pressas, o pingado com pão dormido, e seguiu mecanicamente para o trabalho. Lá, cumprimentou os amigos de tantos dias sem graça, riu das mesmas piadas, contou as mesmas histórias desgastadas e sentou-se em sua mesa, à espera do término de seu calvário.
Quando o relógio bateu às 16 horas, ele apressou-se em ser o primeiro a sair porta à fora. Entrou no carro, desleixado, desrespeitou algumas leis de trânsito, e correu em direção ao seu ponto de observação, delírio e desespero. Quando o primeiro gole de cerveja fez o percurso natural através da garganta, ele avistou-a aproximando-se lentamente. Sua pele muito morena contrastando com o branco do vestido esvoaçante. Ela vinha como em seus sonhos, felina e faceira, como se deslizasse ao invés de caminhar. Seus quadris erigiam círculos perfeitos e até o ar parecia acompanhar seus movimentos sinuosos e perfeitos.
Ele manteve o copo de cerveja parado no ar, quase estático, ouvindo apenas os batimentos acelerados do próprio coração. Não conseguiu pensar em nada, não via e nem ouvia nada. Naquele momento também não era nada, era apenas ela. Era completamente dela.
Francisco prendeu a respiração quando ela chegou mais perto, quase tocando-lhe os lábios. Olhou-o, então, profundamente em seus olhos, tascando-lhe o primeiro derradeiro beijo. Sorriu um sorriso safado e perdeu-se traiçoeira na pequena multidão daquele fim de tarde.
Quando recobrou os sentidos, Francisco se sentiu liberto. Engoliu, tranqüilo, o último gole de cerveja, quase fervente, pagou a conta e foi-se embora, com a certeza absoluta e reconfortante de ter recobrado sua vida inteira.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
06/02/2007 15:27
Hoje, eu acordei com a alma aos prantos e não quis saber por quê. Lá dentro, no âmago de tudo o que sou, ela esperneou, barraqueira, e fez um barulho danado. Tirou meus pensamentos do lugar; derrubou minhas prateleiras de idéias; misturou meus sonhos, rasgou meus planos e não quis nem saber também. Eu pedi para ela parar, mas ela não parou. Me sentei no chão, chorei e até briguei com ela. Mas não adiantou. Ela persistiu em destruir o resto de mim que continua inteira, por um milagre divino.
Não é a primeira vez que isso acontece. Minha alma é rebelde e parece sentir-se presa à tudo o que eu consegui realizar. É como se estivéssemos, eu e ela, dividindo um espaço pequeno demais pra nós duas. Ela me empurra de lá, eu cutuco ela de cá, mas a briga permanece, como duas mulecotas que brigam sem saber o porquê.
Pois hoje ela me atormentou o dia inteiro. Colocou lágrima nos meus olhos e um grito que eu mantive preso e sufocado na garganta. Meu coração ainda ta pulando, tamanha a carga de adrenalina que eu lhe empurrei sem ter nem ao menos para onde liberar.
Quando tudo isso acontece, eu sonho em ficar longe de mim mesma. Tirar umas férias; ser uma viajante da história de outrem. Assumir riscos que não são meus e, assim, acomodadamente, vencer sem ter vencido, sem acesso aos louros. Apenas vencer. Apenas vivier. Apenas. Nada mais.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
03/02/2007 08:45
Às vezes, quando estou sozinha, o meu coração tece histórias mirabolantes sobre
meus heróis e monstros imaginários. Se emociona sozinho, chora sozinho, teme sozinho.
Por que é assim que a gente se sente a partir de determinado momento da vida. De repente,
percebemos que o tempo passou, e passou depressa demais. Percebemos, também, que as travessuras
da infância, ou os jogos tolos e inúteis da adolescência já não são mais perminitos ou se quer tolerados.
Até nossos sorrisos parecem ser controlados, pois temos a terrível obrigação de lidar com problemas,
ter respostas para tudo e estar sempre dispostos a entrar em guerras intermináveis. Aí, a gente percebe
que virou adulto.
Quando eu penso nisso, lembro de meus desejos juvenis, nos quais eu encarava a "adultêz" como uma forma de
libertação. Coisa de jovem, eu acho. Pensamento de quem ganha mesada e acha as broncas dos pais um saco. Aos 15,
queremos os 18. Quando chegamos lá, queremos ir mais longe ainda. Somente após os 25, quando a vida nos engole,
de forma traiçoeira e insana, é que começamos a avaliar a idéia de uma contagem regressiva. Um retorno no tempo
que nos possibilite sair do furacão e ir direto para o seio materno, onde tudo é seguro.
Hoje, tenho tantas obrigações que não são minhas. Preciso ganhar dinheiro, trabalhar oito horas por dia, correr
apressada, mesmo sem nada pra fazer, e manter sempre guardada uma cara séria o bastante para ser vista com respeito.
Precisamos, infelizmente, começar a duvidar da vida e dos novos amigos, a fim de mantermos intactas as nossas integridades
profissionais e pessoais. Então, entendemos que, a partir de agora, seremos palco de uma luta eterna entre mente e coração, razão e emoção, responsabilidade e brincadeira, a infante e a adulta.
Gostaria de ter mais tempo de cuidar e brincar com este meu eu que mentên-se, agora, encolhido e escondido num recôndito
obscuro de mim. Seus brinquedos estão espalhados, cravados como farpas por meu corpo inteiro, para que eu sempre me lembre
daquilo tudo o que perdi. Por-do-sol no fim da tarde; sorvete derretido aos domingos; pesseio com a vovó no parque; brincadeiras sem compromisso com os amigos. O primeiro beijo, acanhado. O primeiro sarro, safado. A primeira transa, cheia de magia; a primeira amiga em quem a gente confia, de verdade.
Agora, eu preciso correr. correr pra colocar comida na mesa e preparar o terreno para aqueles que um dia tomaram nossos lugares. Correr para ganhar espaço nesse mundo, cada vez mais fechado. Correr, voar à velocidade da luz, mais rápido do que ela, a fim de poder aproveitar os parcos momentos na transição de meus tempos e espaços. Enquanto isso, meu coração segue sozinho, imaginando fantasias, ventindo-se de desejos e deixando pegadas imaginárias na minha história, aquela que eu gostaria de ter vivido.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
02/02/2007 09:36
Meu dodó
Dia desses, lendo uma crônica do Max Gehringer, guru do mundo corporativo, eu conheci o Dodó. O dodó, segundo o Max, era um passarinho completamente maluco, habitante solitário da ilha Maurício, pertinho de Madagascar, e dono de uma característica singular: além de doido, era extremamente inocente. O bicho era tão inocente que, 100 anos após a chegada dos colonizadores àquela ilha, foi extinto por não saber defender-se dos recém-chegados predadores.
Pois bem. Quando terminei de ler o texto, extintivamente pensei em meu pai. Ele é um cara boa praça, bonachão, que balança a barriga quando rir e adora cozinhar para os amigos, familiares e agregados. Não faz muito tempo, ele resolveu ser empresário depois de ser demitido da empresa para a qual se dedicou durante 23 longos anos.
E também tem vejam a coincidência -, uma característica peculiar para o mundo empresarial: preocupa-se, às vezes em demasia, com o crescimento, o sucesso e a qualidade dos produtos do outro. Comportamento, nos dias de hoje, quando o lucro está em primeiro lugar, também considerado uma tremenda inocência.
No impulso, enviei-lhe o texto na esperança de que ele avaliasse sua postura e entrasse na briga com os dois pés. Fi-lo com a melhor das intenções, mas, como a gente sabe, de boas intenções o inferno está cheio. Por que, afinal de contas, não há nada de errado em preocupar-se com o outro, torcer pelo sucesso e crescimento alheio. Isto, na verdade, na pior das hipóteses, é louvável.
Hoje eu acordei pensando nisso e me arrependi de ter-lhe enviado tais palavras. Peguei-me desejando que nada mudasse, que ele continuasse em sua estrada a servir como um bom exemplo de sucesso às custas do sucesso alheio. Quis, lá no fundo, que meu pai continuasse a ser um dodó, e desse mais ênfase ao coração do que ao dinheiro, pois isso é o que mais admiro nele. Seu coração. O maior coração do mundo.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
30/01/2007 10:27
Sorriso safado, cerveja. No céu, uma lua de arrombar a rotina, como bem diria o Chico. Som de Tom dançando no ar, aroma de bossa nova, tempo quente, quase escaldante. Na rua, gente passando apressada, passeando, pensando em nada, ou em tudo. A mão dele deslizando na perna dela. Maçãs do rosto enrubescidas e uma coisa que vai descendo do estômago para outros órgãos, mais embaixo.
Os olhos dele nos seios dela - desejo. A boca dela no peito dele tesão. Taquicardia nos corações e um arrepio danado que vai subindo pela espinha. Mais cervejas, mais sorrisos, mais afagos. As mãos dele migram para outros lugares, indiscretas, e ela se contorce na cadeira, sedenta. Agora é o Alceu que desfila pelo ar, falando de uma moça de olhos de gato e ele fixa os olhos nos olhos dela, hipnotizado. O garçom interrompe, cortez, e é quase linchado.
Boca na nos lábios dela, bem de leve. Uma língua que não para quieta, anseio. Braços que pedem mais abraços, pernas que buscam por outras pernas, em enlace. Corpos que não se detém nas barreiras físicas das roupas e dos sapatos.
Decide, enfim, pedir a conta. Quando ela sai, deixa marcas sob o estofado da cadeira antiga, como tantas outras já deixaram. Ele apressa-se em abrir a porta, quase louco. Quando entram no carro mal-iluminado, as mãos dele deleitam-se na maciez da pele dela, arrepiada e febril. Extinto selvagem, pudor pueril e uma vontade insana de se sentirem libertos.
Quatro paredes, ambiente fechado, pele com pele. Sacanagem nos ouvidos, entre as pernas, no seio, na boca. Ela brinca com a pressa dele, diabólica. Olha de soslaio, faz beicinho, desliza o corpo, devagarzinho, sobre a pele dele, que inflama. Jogam-se na cama, enfurecidos, e explodem ao mesmo tempo, arfantas, cansados, amantes.
No quarto, então, tudo é silêncio. Ao dentro, dois corações descompassados parecem encontrar-se num mesmo ritmo. O suor dele na pele dela. A boca dele na boca dela. O prazer dele dando prazer a ela. Plenitude.
Ela volta pra casa relembrando os detalhes e se delicia. Deita na cama, brinca com as pernas, endiabrada, planejando as minúcias do próximo encontro. Outro bar, outras músicas, mesmo amante. Adormece, tranqüila e sedenta, desejando as mãos dele no corpo dela. Fantasia.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
18/01/2007 17:51
Daniela ficou sentada no único canto do quarto onde a luz não batia, os braços cruzados abraçavam as pernas, encolhidas. Ela observava as lágrimas segando-a aos poucos, como se desfocassem sua vida inteira. Cravou as unhas nos ombros tentando conter a raiva crescente e mortífera, e o sangue correu lânguido e morno sobre a pele muito branca. Fechou os olhos e quis morrer.
Daniela era dessas meninas que escondem um mundo dentro de seus frágeis corpos. Sempre fora reservada e introspectiva, o que a fez uma mulher de poucas amizades. Andava sempre de cabeça baixa, procurando não chamar a atenção de ninguém no meio da rua. Mas era inútil. A beleza natural era responsável por atrair a atenção dos homens e a inveja da maioria das mulheres. Por isso, Daniela odiava ser bela. Odiava a beleza. Odiava.
Era comum trancar-se sozinha no banheiro durante horas, muitas vezes com o chuveiro ligado. O som da água corrente abafava os gemidos de dor emitidos a cada novo corte. Desde criança ela começou a torturar-se, como se, desta forma, pudesse expurgar o pecado de ser bela. Aos 22 anos, tinha o corpo completamente marcado. Marcas de um ódio antigo e singular. Para esconder os cortes, andava sempre com roupas muito cumpridas, o que a fazia parecer ter mais idade do que realmente tinha.
Seu pai, um militar aposentado, rígido em regras e valores morais, aprovava e incentivava a maneira de se vestir de sua única filha. Gabava-se sempre de ter uma filha que serviria de exemplo para qualquer menina. Secretamente, no entanto, desde a infância de Daniela, ele a observava com olhos de cobiça. Seus atos incestuosos fizeram parte da história da filha desde a idade mais tenra, quando ela ainda acreditava na figura de um pai amoroso e companheiro.
Agora, no entanto, ele jazia inerte no chão do quarto. Ao seu redor, lentamente, seu sangue foi-se acumulando, como se quisesse alcançar Daniela, tocá-la uma última vez. O sangue de seu sangue; a carne de sua carne; a dona de todos os seus desejos.
Ela não ouviu os gritos da mãe quando esta adentrou o quarto e deparou-se com o quadro horrendo. Em sua cabeça havia espaço apenas para uma nova promessa: a de que ele jamais a tocaria novamente. Sentia um alívio percorrer-lhe o corpo inteiro, como se estivesse expulsando todos os demônios interiores.
Quando os policiais, truculentos, a ergueram do chão, agora lavado de sangue, ela já não sentia culpa. O corpo estava leve e a alma em paz. Era a primeira vez em anos que ousava sorrir em público. Um sorriso iluminado e verdadeiro, como o sorriso de uma criança. Ao chegar a porta, Daniela virou-se e observou o corpo do pai, suas pegadas firmes deixando marcas sob o chão. A carne de sua carne misturando-se, uma última vez, ao sangue de seu sangue. Enfim, ela fora liberta.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
16/01/2007 21:37
Não quero escrever uma história mal contada
Em cima de linhas mal-traçadas e tortas
quero tudo que nos transporta ao paraíso
E quero tudo isso sempre contigo.
Afinal de contas eu não te escolhi sozinha
Eu não corri contra os fatos, não inventei nenhum boato
Não criei uma notícia inexistente
Por que a união da gente foi um fato
E de fato eu quero tudo como sempre foi
Quero me enxergar nos teus olhos
Ter meu espaço nos teus braços
Manter vivos os nossos laços
Planejar um futuro ao teu lado
Que seja um pensamento careta
Que seja uma forma quadrada de olhar o mundo
Mas é a minha forma de te mostrar
que com você EU QUERO TUDO.
Mariana Lira (uma poesia inocente, pura e sincera)
enviada por Adoráveis Dragões
14/01/2007 19:46
Regar o amor
Regar o amor é reler uma declaração apaixonada escrita pelo namorado. Aquela que, dias atrás, te pegou de surpresa no meio da manhã, te fez chorar de alegria e sentir um aperto no peito de tanta paixão e ternura.
Regar o amor é relembrar da timidez dos primeiros encontros, quando um simples toque de mãos gerava expectativa quanto ao momento do primeiro beijo e uma cadeia de sucessivas expectativas.
Regar o amor é ouvir a caixinha de música em forma de carrossel, presente de natal, e ver a sensibilidade do amante nas notas da melodia e sentir-se amada por ele.
Regar o amor é abrir o baú de lembranças com fotografias, desenhos, badulaques representativos, cartas e poemas... e deixar os bons momentos invadirem o ambiente... e tudo parecer singelo... e seu amado parecer perfeito.
Catarina Raquel Rocha
enviada por Adoráveis Dragões
05/01/2007 14:11
Poesia sem dono
De alma dolorida
De peito comprimido
De garganta sufocada
De grito contido
De ombros pesados
De cabeça agoniada
Vomito minhas certezas
Para engolir minhas verdades
Seguindo eternamente prisioneira
De minhas próprias vaidades.
E assim, o corpo que já não suporta
A alma dorida que já não comporta
O peso de minhas ansiedades,
Vai-se, quase morrendo de tanta saudade,
Da menina que um dia, tola,
Ousou-se enxergar por inteiro.
Derramo, então, meu desespero
Nesta hora torta, quando eu prefiro
Quebrar meus espelhos
Trancar minhas portas
Renegando, claramente
Tudo o que um dia eu fui.
Renegando o alimento
Que Deus deu
Não estou no tempo
Não me fixo no espaço
Me trespaço
Me desfaço
Me disfarço
Insatisfeita
Insaciável
O desencontro de mim mesma
Me envenena o sangue
Que corre quente em meu corpo quase morto
E a vida
Nunca estou onde ela está
Nunca está onde eu estou
Não há sopro de movimento
Em meus planos
Nem olhar de completude
Por além dos vidros
Que as estações dos meus sentimentos embaçam
Ofuscando meu futuro de desejos
Molhei meu lábio
Na taça da vida
Senti o gosto de participar do banquete
Mas secou
Ficou o gosto longe
Pois quando acho que estou plena
Desperto
Desperto
Por Raquel Rocha e Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
02/01/2007 19:52
Palavras e desejos
O melhor do clima de fim de ano são as trocas de desejos. Um cartão de natal ou de ano novo pode ser muito mais que um pedaço de papel decorado ou uma obrigação social.
Nos últimos dias de 2006 preparei um ambiente confortável com som ambiente e comecei a preencher as minhas correspondências de natal. Mentalizei cada voto desejado: dinheiro, amor verdadeiro e correspondido, SAÚDE, sabedoria, presença de Deus e alegria sem fim. Acompanhei com o olhar e o pensamento positivo o tracejar da caneta sobre cada palavra escrita calmamente e conclui que um envelope pode conter boas vibrações, além de que, desejos verdadeiros mútuos devem ter sua influência sobre os acontecimentos das nossas vidas. Para mim, é esse um dos significados das trocas natalinas e de final de ano.
O certo é que desejar, mentalizar, enfim, cultivar boas palavras traz leveza ao espírito. Este é um exercício que deveria ser incorporado à rotina de todas as pessoas. Por isso é importante ser mais seletivo com o conteúdo do que proferimos, com os textos que lemos (evitar idéias pessimistas e depressivas), com os programas televisivos a que assistimos e com as pessoas que nos rodeiam (evitar pessoas que se reclamam demais de tudo, negativas, pesadas). Uma alma leve se aproxima mais facilmente de Deus, facilita o caminhar em direção a realização de sonhos e traz mais disposição de viver.
Mentalizar os votos para um novo ano é fundamental, até porque dizem que o que desejamos ao outro nos retorna em dobro(em todos os meus cartões desejei muito dinheiro). Neste fim de ano, algumas poucas pessoas se deram o trabalho de refletir sobre o movimento gerado por essas trocas. Poucos se dão a graça de provocar círculos de ações (com suas reações) e bons desejos. Dar e receber presentes, dizer e ouvir de volta feliz 2007!, doar o que não tem mais utilidade, oferecer algum prato especial da sua ceia à família vizinha, tudo isso, é fazer circular alegria e paz, num movimento dinâmico que simboliza a vida e gera prosperidade aos homens e mulheres de boa vontade.
Ainda há tempo de construir seu círculo de bons desejos e palavras positivas. O ano está só começando! Toda a felicidade do mundo em 2007!
Catarina Raquel Rocha
enviada por Adoráveis Dragões
21/12/2006 13:11
Prontidão
Hoje me perfumo
Com o afinco de quem ama
Tenho pele mais delicada
E seio vistoso de paixão
Meus banhos têm mais cheiros
De desejos
E mais tempo de frescores
Sentidos
Depois desse amor
A nudez do meu corpo
Reflete prazer servil
Que transparece o que me veste.
Pois não há o que encubra
Essa sensualidade forte
Que me faz mais atraente
Em prontidão para o amor.
Por Catarina Raquel Rocha (Para Jandeir)
enviada por Adoráveis Dragões
18/12/2006 09:38
Mãos enternecidas para te tocar o rosto
Pés descalços para te pisar o coração
Na vitrola antiquada um jazz
Na boca o gosto feroz da tua pele
Nos pulmões, respiração acelerada
No sangue, a adrenalina que é despejada
Querendo que o corpo seja, enfim, domado.
As unhas cravadas no teu dorso
Nas tuas, as coxas entrelaçadas
No ar um suspiro mudo e desesperado
Em busca de uma explosão inevitável.
Lá fora, a ausência de vida
Lá dentro, a carne rígida
Que pulsa sem pedir licença
Conquistando os espaços
Que de tão bom grado
Lhes foram cedidos
No fim, nós dois lado a lado
Cansados, sorrimos
Nos olhos segundas intenções nascendo
No corpo a vontade re-existindo.
Me dá um segundo, vai...
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
11/12/2006 09:09
Quero que me chegues
sem grandes promessa e pretensões
Como chegam as grandes paixões
para quem não as espera
Quero que sejas meu na primavera
e também no verão, por que não??
Para que, quando do inverno,
Possas me aquecer e manter serena.
Peço, ainda, que me ames
nem demais, nem de menos
Mas da maneira que você puder amar
Se hogando por inteiro.
Quero-te honesto e sincero
Como quando teus olhos me fitam
E, lacrimejantes, revelam que me amas
Quero-te exatamente como és
Nem igual, nem diferente.
Apenas segues ao meu lado
nem atrás, nem à frente
E sejas em minha vida o que tu já és:
O meu melhor presente!!
Mariana Lira
Ps. Tá devagar, mas ei tô voltando ;) um beijo a todos!!
enviada por Adoráveis Dragões
29/11/2006 11:26
As mãos do artista
Meu amor tem mãos de artista
Que me tocam com delicadeza e cuidado
Com se eu fosse obra sua
As mãos do meu amor
São largas de masculinidade protetora
E de afagos fartos
Esculpem minha nova forma feminina
Estreante no prazer de ser mulher
Em corpo e alma bem amada
E, mesmo estando longe,
Por ressentimentos vãos
Tenho-lhes as mãos inteiras
Em lembranças inapagáveis
Em poemas verdadeiros
Em desejo de outra vez senti-las.
Por Catarina Rocha
enviada por Adoráveis Dragões
20/11/2006 19:42
Para Jan, o meu amor!
O Sonhador
O homem que eu amo
Habita castelos de pensamentos
E flutua... flutua...
Livre... leve
Alado.
Conduz-me a fronte ao infinito
Quando o sinto em lembranças
Eleva-me o corpo às alturas
Quando o percebo em meu seio
E assim, um sonhador
Viajante
Gigante
Entre nuvens, luares e
Estrelas.
Desprendeu-me dessa Terra
Em sua carne ancorou-me
Estou atada a seu espírito.
Por Catarina Raquel Rocha
enviada por Adoráveis Dragões
11/11/2006 15:50
Resolvi, então, concentrar-me no barulho do relógio. Às vezes gosto dele. Às vezes ele me irrita.
Fechei os olhos e fixei meu pensamento no estalar do ponteiro dos segundos. Precisava esvaziar meu cérebro e meu coração que, ultimamente, agiam por uma força própria que parecia não vir de mim.
Era difícil sincronizar a respiração com o arrastar do relógio, mas dentro de pouco tempo ficavam imperceptíveis o som dos automóveis na rua, do latido do cachorro, do ventilador e dos eletrodomésticos.
Dali a pouco tudo o que não era relógio silenciava e o tic-tac crescia estrondosamente. Só havia ele sobre o mundo inteiro. Era o ápice daquela meditação.
Cheguei a uma conclusão repentina que dedicar-se demais a alguém é assim. É assim voltar-se exageradamente para algo. Uma pessoa... uma história... um pensamento... um problema... Um defeitozinho acaba por avolumar-se, abafando qualidades.
Eu tenho mesmo essa característica incontrolável de valorizar demais uma tristeza, por exemplo... e deixá-la tornar-se gigantesca de tanto obcecar-me por ela.
Acordei há pouco.
Acabei por cair no sono, tentando imaginar, de olhos fechados, a que posição corresponderia um certo barulho do ponteiro maior.
Sempre fui assim... Buscava no sono a fuga para as minhas inquietações martirizantes.
Por Catarina Raquel Rocha
enviada por Adoráveis Dragões
28/10/2006 11:19
Canção dos Namorados
(Diana)
Passeando em um jardim
A
Eu te encontrei, meu bem
E
Foi tão grande a emoção
B7
Que minha voz perdi
E
E com certa timidez
A
De mim se aproximou
E
Para ir a uma festa
B7
Você me convidou
E
Fiquei feliz, sim
B7
Com esta prova de amor, sim
A E
A esta festa contigo irei
R
E Quero dançar, sim
F B7
R Quero dançar meu amor, sim
à A E
O A valsa dos namorados contigo
Quero dançar, sim
B7
Quero dançar meu amor, sim
A E
A valsa dos namorados contigo
Quero estar nos braços seus
A
Eternamente
E
Para o mundo então ficar
B7
Tão diferente
E
E viver feliz assim
A
Apaixonada
E
Eu te amo e quero ser
B7
A tua amada
E
Diga que tu, sim
B7
Sempre serás meu amor, sim
A E
És todo bem que eu tenho na vida
Vou te abraçar, sim
R B7
E Para sentir teu calor, sim
F A E
R Pois sou feliz quando estamos juntinhos
Ã
O Quero dançar, sim
B7
Quero dançar meu amor, sim
A E
A valsa dos namorados contigo...
Por Catarina
enviada por Adoráveis Dragões
20/10/2006 23:20
Sorver-te
Ver-te
Ter-te
E sorver
Em verso
Em vida
Para ter
Numa só
Duas vidas
Absorvidas
Por Catarina Raquel Rocha
enviada por Adoráveis Dragões
20/10/2006 13:56
É... depois de tudo o que Quel escreve, é mesmo uma audácia arriscar escrever qualquer coisa. Mas, quem disse que eu não sou maluca?
por que todo amor é um pouco brega; por que todo amor é um pouco sacana...
________________________________________________________________
Fazer-te meu cálice
Onde derramo meu gozo inteiro
Transformando o teu desejo louco
Na realização de minhas vontades
Meu suor lavando tua carne
Os dentes querendo-te roubar um pedaço
E o meu corpo ensandecido
Ocupando teu corpo, meu espaço.
Deflorar-te a alma com minhas garras
Desvirginar teus ouvidos com minhas súplicas
Depois adormecer, cansada
roçando minha pele na tua pele nua..
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
18/10/2006 09:10
Poema que eu fiz especialmente para o meu namorado
Redoma
Cuidar-te
Regar teu corpo
Minha saliva ser tua seiva
E eu inteira,
Alimento.
Nutrindo-te
Em afetos,
Toques,
Sensibilidade.
Dar-se
Por querer-te bem
E ceder-te o coração
Para que habites
Protegido do vento
E do frio.
Do desamor.
Catarina Raquel
enviada por Adoráveis Dragões
16/10/2006 16:19
Hoje, dou chance a um cara muito legal que escreve coisas legais pra gente legal, assim como você e eu. Depois, mais tarde ou amanhã, quem sabe, prestigiarei vocês com mais um dos textos neuróticos desta jornalistazinha de meia-tigale. Beijo no coração.
Mari
Era uma vez...
De Nelson Botter.
Atenção, mulheres, leiam isso e usem como regra para suas vidas: "Eu não preciso e nem devo ser perfeita em tudo!!!". É isso mesmo, leiam de novo! "Eu não preciso e nem devo ser perfeita em tudo!!!". Mais uma vez! Como é que é? Não entendi! "Eu não preciso e nem devo ser perfeita em tudo!!!". E ponto (de exclamação).
Chega dessa coisa de mergulhar de cabeça em auto-cobranças loucas e absurdas por uma perfeição inexistente, algo inatingível e até certo ponto imbecil. Leia lá de novo, anotem nas agendas, grudem nos espelhos de casa, coloque no painel do carro, deixem dentro do estojo de maquiagem, no melhor estilo auto-ajuda possível. É isso mesmo, Botter guru lhes diz: "Mulheres, descompliquem!!!".
Eu, homem, exijo que vocês não sejam as melhores mães do mundo, que não provem ser as profissionais do ano, que não deixem a casa brilhando todos os dias, que não acumulem mil tarefas loucas, que não sejam as melhores esposas, namoradas ou amantes da face da Terra, que não enlouqueçam por causa da beleza eterna, que tenham direito a engordar, a ter celulite, estrias e barriguinha ou barrigona, que não precisem gastar milhões em cosméticos e tratamentos estéticos, enfim, exijo que vocês sejam as mulheres mais lindas do mundo simplesmente por serem vocês mesmas! E garanto que muitos homens pensam como eu, jogam nesse time, o das mulheres por elas mesmas.
Desde que a mulher entrou nessa de dupla, tripla ou quadrupla jornada, a vida feminina (que já era um pequeno inferno) se tornou algo dantesco, extremamente ilusório e estressante. O nível de exigência consigo mesma passa dos limites imagináveis e concebíveis. É preciso parar com isso, pois nunca as mulheres tiveram tantas doenças motivadas pelo alto estresse, dentre elas as tão temidas cardiopatias, ou seja, o coração feminino não sofre mais somente pelas desventuras do amor... agora a bolsa (não a de couro e sim a de valores) a faz enfartar rapidinho!
Sim, a igualdade dos sexos é necessária, o feminismo é importante, a valorização da mulher perante a sociedade é uma das maiores conquistas ocidentais do último século, as mulheres devem mesmo ter autonomia financeira, serem independentes e terem grandes objetivos profissionais, mas é preciso saber a medida certa. Como em todo processo de adaptação ao novo, as mulheres vieram com todo o gás, pois sabem que o preconceito (principalmente no mundo corporativo) ainda é grande, a coisa não é fácil, entretanto o período de adaptação já passou, hoje temos mulheres presidentas de empresas e até países. Portanto, vocês meninas chegaram lá, agora é hora de pisar no freio e acompanhar a velocidade (muitas vezes tartaruguesca) dos homens.
Podem tirar a fantasia de Mulher-Maravilha, vai lá, rodopiem e larguem essa história de serem as heroínas do dia, chega. Quero ver vocês se libertando da escravidão imposta pela sociedade consumista e dos ridículos padrões de beleza. Joguem a obsessão pela magreza no lixo, livrem-se da culpa por não lamberem suas crias 24 horas por dia, parem de competir ferozmente no mercado de trabalho, dêem uma banana aos homens folgados que não lhes ajudam nas tarefas da casa e ainda exigem disposição para um kama-sutra de 12 horas seguidas.
Mulheres, voltem a ser meigas, delicadas e sensíveis. Essa roupa masculina não lhes cai bem e só deixa o mundo mais feio e troglodita. Salvem-nos enquanto ainda há tempo, mas sem bancar a super-heroína, apenas sejam vocês, mulheres, pois já é o suficiente... e esse é o grande segredo para salvar o mundo. Fora que Mulher-Maravilha já era, né? O negócio agora é ser Meninas Super Poderosas!
Nelson Botter é cronista do Blônicas.
enviada por Adoráveis Dragões
11/10/2006 10:24
Se a Paulinha já não tivesse escrito, eu o teria feito.
Meu auto-retrato, por Paula Toller
Eu Tou Tentando
Kid Abelha
Composição: George Israel / Paula Toller
Eu to tentando largar o cigarro
Eu to tentando remar meu barco
Eu to tentando armar um barraco
Eu to tentando não cair no buraco
Eu to tentando tirar o atraso
Eu to tentando te dar um abraço
Eu to penando pra driblar o fracasso
Eu to brigando pra enfrentar o cangaço
Eu to tentando ser brasileiro
Eu to tentando saber o que é isso
Eu to tentando ficar com Deus
Eu to tentando que ele fique comigo
Eu to fincando meus pés no chão
Eu to tentando ganhar um milhão
Eu to tentando ter mais culhão
Eu to treinando pra ser campeão
Eu to tentando ser feliz
Eu to tentando te fazer feliz
Eu to tentando entrar em forma
Eu to tentando enganar a morte
Eu to tentando ser atuante
Eu to tentando ser boa amante
Eu to tentando criar meu filho
Eu to tentando fazer meu filme
Eu to chutando pra marcar um gol
Eu to vivendo de rock'n roll
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
07/10/2006 20:55
Só love
É que hoje estou muito romântica... Risos!!! :)
Meu namorado..
tem a pele que gosto...
tem o cheiro que mereço....
tem a química que me atrai....
Vive comigo dias ...noites.... anos e anos....
É o homem que idealizei....
o macho com quem me deito....
o moleque com quem brinco.
é o homem decidido...
é a criança que chora....
é a criatura mais bela que me ama.
Retirado do site: http://www.bethynha.com.br/meu-namorado.htm
Por MissHeyJude
enviada por Adoráveis Dragões
05/10/2006 09:30
Coração tem rachaduras por todo o lado
Gostaria de ser uma mulher excessivamente bondosa, daquelas que não raciocina para realizar boas ações. A moça, idealizada por mim, não censuraria a atitude de um ser humano ao pedir esmolas e nem faria críticas severas aos que insistissem limpar o vidro de seu carro. A mulher dos meus inventos, jamais, deixaria de oferecer a uma criança duas conchas de feijão e/ou uma porção de arroz. Ela respiraria sensibilidade, antes de expelir um NÃO.
É triste compreender os atos da princesinha aqui. A minha inclinação para o bem sempre foi limitada e acho que, assim, sempre será. Muitas vezes, não ajudei ao próximo, porque esse próximo me causava pânico, terror, um medo desmedido. Lembro como se fosse hoje de um homem cabeludo e, aparentemente, sujo que habitava a rua da minha casa, por volta de 1995. Assustei-me, inúmeras vezes, ao enxergá-lo. Entretanto, era esse mesmo homem que reproduzia nas calçadas da redondeza os mais lindos desenhos que já vi. Naquele corpo espantoso residia um extraordinário artista. Penso que praticar atos bondosos está relacionado, quase sempre, às aparências dos que requerem. Já dizia a minha avó que o exterior das pessoas nos engana mesmo...
Quando somos pequenos refletimos sobre algumas situações, no mínimo, criativas e/ou estranhas. Por volta dos meus 11 anos ficava imaginando como eu retornaria para casa se tivesse esquecido o dinheiro do ônibus. Com certeza tentaria ligar para meus pais ou avos. Se não conseguisse entrar em contato com eles, me desesperaria. Mas acho que, depois dos três primeiros minutos de angústia, pediria passagem a alguém (o meu destino seria uma pessoa que, logo de início, se identificasse comigo). Mas será que esse ser humano acreditaria em minha sinceridade?
Tenho uma história para contar sobre um fato que aconteceu com o meu pai, na última segunda-feira. Esse relato serve para comprovar que a imaginação dos pequeninos, às vezes, pode significar severas realidades. Mas enfim, tudo ocorreu num estacionamento de um grande supermercado aqui em Recife. Meu pai estava arrumando as compras na mala do carro quando um homem pediu a sua atenção. O indivíduo de, aproximadamente, 55 anos, mostrava-se abatido e nervoso. Com os lábios e mãos tremulas retirou algo de sua bolsa preta.
Olhando profundamente dentro dos olhos do meu pai, o desconhecido disse: isso aqui, moço, é a minha carteira de trabalho e estou há mais de um ano desempregado. Poderia me ajudar com algum trocado? Sinto muita fome. Meu pai entregou ao senhor os seus dois últimos reais. Como tinha acabado de fazer a feira semanal, também doou dois quilos de feijão. Naquela hora, inesperadamente, o pobre homem retirou da mesma bolsa preta, uma folha de papel. E então acrescentou: este aqui senhor, é o meu certificado de conclusão do segundo grau.
Não consigo entender a vida.
Bjs,
Por MissHeyJude
enviada por Adoráveis Dragões
04/10/2006 12:13
Enfrentando o Dragão
Não gosto de mudanças. Nunca gostei. Para falar a verdade, se dependesse única e exclusivamente de mim, minha vida seria como um daqueles anúncios de margarina. Tudo muito bonito e em seus devidos lugares. Mas a vida, feliz ou infelizmente, não é assim.
Coisas acontecem; pessoas vão embora, outras vão chegando. Uma hora você perde o emprego e em um momento seguinte encontra um ainda melhor. Ou não. Num momento você está por cima. Em outros está tão por baixo que chega a se perguntar se realmente merece tudo aquilo. A vida é mesmo cheia de altos e baixos, mesmo que isso seja um clichê muito clichê para alguém que se diz jornalista.
Um fato que, ao mesmo tempo me conforta e me apavova, é a realidade de nossa geração. Passamos por tantos acontecimentos catastróficos; somos os espectadores de mudanças tão bruscas nos valores e percepções do mundo; vemos, dia após dia, a ética que nossos pais nos ensinaram quando crianças, ruir numa velocidade tão estonteante frente à falta de escrúpulos do ser humano que o medo do enfrentamento, do amadurecimento, do crescimento é visto como natural e até saudável.
Entretanto, ou aprendemos a lidar com as mudanças ou ficaremos no ostracismo, presos eternamente no porão de uma vida que se desenrola sem que dependa de nossa existência. Pensando nisso, lembro de uma frase, extraída de um poema de Johann Franck, que me deu algum suporte para seguir em frente, sem esmorecer diante das várias batalhas inerentes ao simples ato de existir: Enfrente o dragão. Enfrente o medo. O Mundo pode esbravejar e tremer. Mas eu continuarei cantando, em perfeita paz.
Continuar cantando em perfeita paz não é tão fácil, todos nós sabemos. Mas é o mais certo. Deixar que o medo do novo nos assombre e feche as portas para diferentes caminhos, é desvalorizar a vida, esse presente o qual recebemos de Deus. Assim, a gente respira fundo, engole o choro e segue em frente, mesmo com os pés insistindo em permanecerem cravados no solo antigo.
Então, ao invés de anúncio de margarina, luto com meus monstros internos para fazer de minha vida um filme de aventura, desses estrelados por Harrison Ford. Quero viver; aprender a existir; cair e levantar de novo; temer o que vier pela frente mas nem por isso paralisar o transcorrer dos fatos. Quero mergulhar de cabeça; pagar o preço e ver o que acontece. No fim, como diz o ditado, entre mortos e feridos, todos estarão salvos.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
03/10/2006 12:03
Tocando em Frente
Almir Sater
E D
Ando devagar porque já tive pressa
A
e levo esse sorriso, porque já chorei demais
E E
H oje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
A E
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei
D Bm D
Conh ecer as manhãs e as m anhas,
Bm A
o sabor das massas e das maçãs,
D Bm D
é p reciso o amor pra poder pulsar,
Bm D
é preciso paz pra poder sorrir,
A
é preciso a chuva pa ra florir.
E D
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
A
compreender a marcha,e ir tocando em frente
E D
como um velho boiadeiro levando a boiada,
A E
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou, de estrada eu sou
E D
Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
A
Um dia a gente chora, no outro vai embora
E D
Cada um de nós compõe a sua história,
A E
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, e ser feliz
E D
Ando devagar porque já tive pressa
A
e levo esse sorriso porque já chorei demais
E D
Cada um de nós compõe a sua história,
A E
e cada ser em si, carre ga o dom de ser capaz, e ser feliz.
enviada por Adoráveis Dragões
27/09/2006 14:34
Naquele dia
Naquele dia eu o amei com todas as forças. Como se daquela forma pudesse mantê-lo perto, mesmo que distante. Busquei a maneira mais cândida de deixá-lo sereno, e o pus, delicadamente, com a cabeça pousada sobre meu colo amantíssimo. Adormecemos tranqüilos, com os corações cheios de promessas de retorno.
Na manhã seguinte, amei-o mais do que mensurei um dia ser capaz. Não contive as lágrimas. Elas escaparam de meus olhos tentando fazê-lo entender a dimensão de um amor inexplicável em se tratando de palavras. Entreguei-lhe, então, meus olhos entristecidos pela dor da partida, suplicantes por um retorno rápido e indolor.
Na ausência de suas mãos, deliciei-me com suas frases, sempre exatas e completas. Suas declarações tão abertas fizeram-me sentir mais amada do que qualquer outra mulher sobre a face da terra. Naquele instante, eu fui a sua Vênus, sua Monalisa. Uma obra-prima esculpida por mãos fortes e másculas. Mãos do homem que me prometeu o amor eterno.
E eu me doei, então, como se procurasse fazer parte daquele corpo que me complementa e me deixa repleta de vida e de gozo. Quis ser para ele mais do que uma mulher. Quis ser, em toda a minha plenitude, sua menina, sua amiga, sua companheira. E eu o fui, sem maiores pudores ou medos.
É que perto dele eu me transformo em quem nasci para ser e saio para as luzes da ribalta sem receios de padecer. Este homem magnífico, não fazendo questão de ser parte de meu sucesso, foi sempre o estopim de todas as minhas vitórias. A ele, eu devo o apoio nas horas mais drásticas e insólitas.
Por isso, naquele dia, eu procurei amá-lo como se ama a uma rosa. Admirando cada pedaço daquele ser, sorvendo todo o seu esplêndido perfume, roubando para a minha vida um pouco da beleza que ele, tão despojadamente, me devota.
Que ele, em sua imensa sabedoria em amar, saiba que, naquele dia, eu o amei como a mim mesma. Da forma mais plena e completa; da maneira mais serena e devassa; como se saísse do caos para a primavera. Naquele dia eu o amei até o fim, até a última das suas células. E foi por isso tudo que eu decidi amá-lo como se ama a um filho: eternamente. Só aí, então, foi que me fiz completa. Completa de vida, completa de felicidade, completa com a verdade que somente se encontra no grande amor.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
23/09/2006 12:17
Um beijo nela
A noite hoje é diferente. Meus olhos observam o céu pouco estrelado e cheio de nuvens de uma maneira nem bonita e nem feia. Eles vêem de uma forma especial. Especial porque enxergo o céu lindo - que tenho todos os dias - sem precisar pagar nenhum centavo. Especial porque tenho a oportunidade de acreditar que sonhos impossíveis ainda valem à pena. Especial porque o dia foi difícil e, mesmo assim, aquela inesperada força interior insistiu em me surpreender e, até mesmo, a me escandalizar. É que o meu espírito não imaginava ser presenteado por visões diferentes.
Também não é sempre que presencio cenas como as de hoje à tarde (22 de setembro). Por alguns momentos imaginei estar assistindo a um daqueles filmes americanos bem melodramáticos, ou mesmo, estar lendo uma importante obra de um desconhecido escritor, morador aqui do lado. Mas não! A vida real parecia me engolir de uma maneira tão simples e concreta. Mesmo sem querer, naquele momento, eu notava o que não esperava enxergar.
Observei da varanda do meu apartamento, em um prédio quase em frente ao meu, uma jovem ameaçando pular do décimo terceiro andar. Ela se apoiava apenas em uma simples jardineira que ficava do lado de fora da janela. Qualquer pequeno movimento resultaria numa queda brusca e mortal. A moça, que colocou uma faixa branca ao redor dos seus olhos, é psicóloga, separada e tem um filho. No momento do acorrido, além dela, não havia ninguém mais em sua residência.
Imagino que alguns seres humanos em estado de depressão possam tentar o suicídio. Mas não sei dizer ao certo quais motivos levaram a jovem a tentar pôr fim a própria vida. Felizmente o meu faro jornalístico foi substituído por inúmeros Pai Nosso. Aliás, garanto que eu não era a única a rezar pela dita cuja. Ao meu lado, minha mãe suplicava para que nada de ruim acontecesse. Imagine o quanto todos estavam torcendo lá em baixo!
Bem, lá em baixo um conglomerado de pessoas impediam os carros de transitarem normalmente. Eu também fui um desses seres. Desci para avaliar de perto o que acontecia. Acho que os meus olhos duvidavam ou não acreditavam, por isso, me conduzi ao local, sei lá! Além de mim, outros moradores de prédios ao redor, também, se dirigiram ao lugar. E os funcionários do salão da esquina? Gostaria de saber se abandonaram os clientes, porque todos, sem exceção, pararam de trabalhar. A rua em que o edifício está situado foi isolada pelo corpo de bombeiros. Até o Instituto de Medicina Legal (IML) tinha chegado.
Após duas horas de sofrimento para uns e espetáculo para outros, a jovem mulher, mãe e psicóloga se rendeu ao cansaço e deixou que o bombeiro a retirasse dali. Sim, pois ela, não conseguiria mais sair do local sem a ajuda deles. Não sei o que houve. Talvez algum familiar tivesse chegado para conversar com a moça.... Talvez ela tenha pensado mais um pouco... Talvez, quisesse apenas chamar a atenção...
E é por causa de um fato desagradável, às vezes, que a gente renasce. Necessito abraçar você como jamais lhe agarrei, vida minha! Quem sabe te pegar de jeito e te dar aquele beijo carinhoso. Pelo menos hoje eu sei (de verdade) o seu grande valor. Mas não é só reconhecer a importância da boca pra fora, sabe? É ter sensação, é respirar sonhos... Senti uma vontade imensa de abraçar o mundo. Gostaria mesmo de gritar e dizer a todos, sem exceção, que as minhas ilusões são lindas, que os meus amores impossíveis foram possíveis e eternos. Agradeço ao nosso pai celestial por perceber que a nossa morada aqui na Terra, além de fugaz, pode ser inacreditável e intensa. Inacreditável, porque somos surpreendidos diariamente por pequenas e grandes situações. Intensa, porque, às vezes, podemos descobrir a vida em um dia.
Bjs meninas! Amo vcs.
Por MissHeyJude
enviada por Adoráveis Dragões
23/09/2006 09:48
Coração ama?
Não ama!
Ama ou não ama?
Apertado assim
Assim desconfiado
Fonte transbordante
De carinho louco
Não sabe disfarçar
Que gosta do beijo
Que é bom abraçar
Pede pra não ir embora:
- Fica mais um pouco...?!?
Já é hora, já é hora
Não é hora de sofrer
De amanhecer dorido
Sofrido
De duvidar
Se deve amar!
De dizer
Vai sofrer de novo
Não vai dar certo
E mesmo assim
Querer perto
E passar o dia dorido
Comprimido
Confuso
Querendo gostar
Sem querer doer!
Por Catarina Raquel Rocha
enviada por Adoráveis Dragões
21/09/2006 13:29
Basta que você me torture
Com a sua ausência
Para que minhas tortas crenças
Dêem o aviso da loucura próxima
É que a abstinência dos teus sorrisos
Deixa menos alegre a minha alegria
E menos leve a minha existência
Como se para viver tranqüila
Eu precisasse da segurança eterna
Dos teus livres braços.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
21/09/2006 13:20
Os Outros
Já conheci muita gente
Gostei de alguns garotos
Mas depois de você
Os outros são os outros...
Ninguém pode acreditar
Na gente separado
Eu tenho mil amigos
Mas você foi o meu melhor namorado
Procuro evitar comparações
Entre flores e declarações
Eu tento te esquecer
A minha vida continua,
Mas é certo que eu seria sempre sua
Quem pode me entender
Depois de você
Os outros são os outros e só
São tantas noites em restaurante
Amores sem ciúmes
Eu sei bem mais do que antes
Sobre mãos, bocas e perfumes...
Eu não consigo achar normal
Meninas do seu lado
Eu sei que não merecem mais que um cinema
Com meu melhor namorado
Procuro evitar comparações
Entre flores e declarações
Eu tento te esquecer
A minha vida continua
Mas é certo que eu seria sempre sua
Quem pode me entender
Depois de você
Os outros são os outros e só
(Composição: Leoni)
Por MissHeyJude
enviada por Adoráveis Dragões
20/09/2006 15:24
Um dia, acordamos e percebemos novos traços no rosto. E notamos que, nos cabelos, alguns fios brancos começam a aparecer. A boca e os olhos parecem ressequidos e a pele não tem o mesmo brilho de outrora. De frente para o espelho, não nos reconhecemos mais.
Pequenas tarefas do dia-a-dia, como escovar os cabelos; varrer a sala; segurar uma caneca de chá quentinho são sentidas como verdadeiros desafios pois o corpo, que um dia foi forte e vigoroso, amanheceu enfraquecido e trêmulo. Lembrar de certas coisas, então, é um verdadeiro sacrifício. E a vida que a gente um dia teve vai sumindo aos poucos, sob a regência impiedosa do tempo.
Remando contra a maré, a mente parece saltitar com tanta juventude, altruísmo e ousadia. Resiste em ver-se como um mulecote, correndo pelado pelo meio da rua. É quando a teimosia abre espaço para um bicho chamado depressão, nos fazendo acreditar que nossos sonhos ficaram limitados pelas restrições do corpo.
Mas o ser humano... Ahhh, o ser humano! Deus nos fez capazes de adaptar-nos às mais adversas situações. Taí a evolução que não me deixa mentir. E, nesse turbilhão, a gente aprende a ver a vida com outros olhos, sorvendo dela outros prazeres; aplicando em cada nova experiência todo o imenso hall de coisas as quais aprendemos durante a longa caminhada.
Corpo e mente entram em um consenso e já não existe mais a necessidade da pressa, da exatidão das horas. A vida começa a ser levada em bossa nova e todos nós nos tornamos meio baianos. Os netos tomam os lugares dos filhos; as baladas são substituídas por caminhadas na praia, nas praças e por divertidos bailes românticos. Tudo é uma revivência de um passado, agora reinventado no presente imposto pelas circunstâncias.
E a beleza, outrora juvenil, se traveste com outras cores. Uma beleza mais poética, mais serena. Uma beleza que mescla estética com paciência e encanta a todos de uma maneira doce e lépida. De frente ao espelho, começamos a reconhecer aquele antigo rosto, em um totalmente modificado. Vamos assumindo uma nova forma; construindo uma nova vida; provando, a cada dia, a força que ainda se oculta dentro de nós.
Neste dia, então, munidos de uma nova vida e de um novo eu, cheios de coragem e de uma vontade danada de viver, conseguiremos entender o que é, enfim, envelhecer.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
15/09/2006 20:17
"Vocês falam o que elas sentem"
(Carlos Valline - eternamente ocupado)
De acordo com nosso leitor mais assíduo, meu eterno ocupado, o clube está travestido em espelho dos desejos, segredos, crenças, medos e dúvidas femininas. Confesso ter repreendido um certo espanto quando dei de cara com esta constatação, pois, da mesma forma que inflama nosso ego, também nos confere uma carga imensa de responsabilidade.
Enfim. Começamos com o desejo de fazer jornalismo, e agora, amadurecidas, fazemos vida, escrevemos história, tentamos contar ao mundo algumas de nossas lembranças. Buscamos ficar na memória. Nosso intuito era o de vomitar nossas vontades, sanar alguns medos, desvendar outros mistérios e esclarecer algumas dúvidas.
Percebo, entretanto, que acabamos por fazer um certo tipo de jornalismo mais próximo do coração. Que mais cativa do que afasta; que mais soluciona do que atrapalha; e que fala de coisas com as quais a imprensa pouco se importa: falamos de gente. E, creio eu, isso chamou a atenção de tantos que, como nós, também são verdadeiros dragões.
E, talvez aí resida o fato das autoras deste manual de sobrevivência para dragões, não se encontrarem muito no jornalismo que é feito bem debaixo de nossos narizes. Padecemos, todas, de saudade de um jornalismo mais humano e menos mercadológico. Que seja nosso companheiro, que converse com a gente assim, da mesma forma que conversamos com todos os leitores deste blig.
Essa citação nos conferiu o status de porta-vozes de uma grande e forte parcela da população. Uma classe de seres humanos tidos como de sexo frágil, mas que suportam a maioria das dores da vida. Nós, mulheres, temos a estranha e maravilhosa capacidade de dividir-nos entre a dor e a felicidade quando nos prestamos a realizar o milagre que Deus nos possibilitou executar: dar vida a uma outra vida.
Somos nós que suportamos as dores de nossos companheiros, filhos, amigos sempre com um sorriso nos lábios, na busca eterna de dar suporte a aqueles a quem amamos. Somos nós que enfrentamos jornadas diárias entre o ser mãe, mulher e empregada e, agora, temos a força e a coragem de querermos mudar o mundo. Quem sabe torna-lo mais forte e mais sensível; quem sabe torna-lo mais feminino.
Viemos falar sobre os recônditos do coração; sobre as pequenas e grandes questões da vida. Estamos aqui para dar espaço para os pequenos prazeres; os fatos que ocorrem na esquina; às conversas que se desenrolam no elevador; no salão; no trabalho; na cama. Nosso compromisso é relatar os sorrisos, denunciar as lágrimas e noticiar a grandiosidade da alma feminina.
Este blig, que nasceu sob o signo da paixão pela escrita; da vontade de falar mais do que a boca; da gana de dizer mais do que sempre nos foi permitido, nos trouxe uma nova e fantástica possibilidade de falarmos aquilo que tantas mulheres escondem. Muitas por vergonha; outras por medo. Mas, a grande maioria por não ter um espaço.
Pois que venham todas essas mulheres. Todos esses seres fantásticos. Todas as que são mães, meninas. As que acreditam em Deus ou numa força superior; as que querem galgar os mais altos graus na profissão e aquelas que querem apenas uma casa no campo, onde possam guardar seus amigos, seus livros e nada mais, tal e qual a maravilhosa Elis Regina. Que venham todas; que falem tudo; que tomem conta deste espaço; que nos ensinem a falar por elas sobre a plenitude que é ser MULHER.
Mariana Lira
para a redação do Clube do Dragão
enviada por Adoráveis Dragões
06/09/2006 19:38
Eles:
Acorda, porra!
Acorda pra vida
Acorda que hoje é segunda
e ninguém quer saber das tuas feridas.
Acorda pra fazer dinheiro
Pra movimentar o paiz
e vê se cala essa boca
ninguém quer saber o que você diz.
Acorda pra merecer teu salário
Acorda pra fazer minha riqueza
E quanto ao teu fim de semana
vou pôr as cartas na mesa:
"C" tem sorte de estar aí sentado
podendo dizer a Deus e ao mundo
que é um cara empregado.
Se não tiver feliz, pode pegar suas coisas
que ali mesmo, na porta
tem uns vinte querendo o seu pescoço.
Acorda pra saber da verdade
Isso aqui não é sonho, mas realidade
Acorda que hoje é segunda
E ninguém quer saber
se você não sabe o que é felicidade.
Acorda, mané!
Ninguém é aquilo o que se quer.
senta a tua bunda nessa cadeira
enfia teus olhos nesse computador
e te conforma com as 12 horas de trabalho.
Ninguém quer saber da sua dor.
Então, acorda porra!!
Eu:
Acorda, menina
Acorda pra vida!
E acredita que essa severina
tem muito pra te oferecer.
Acorda, menina
que hoje é segunda
Um novo começo para cada fim
cheio de possibilidades e maravilhas.
Acorda, criança
esquece as tuas feridas
que o tempo cuida de saná-las todas.
Acorda, que a vida é sonho
travestido em realidade
e você tem milhões de formas
pra se mostrar a felicidade.
Se você quiser chorar, que seja de alegria
Se quiser se lamentar,
que seja das experiências não vividas
Se quiser esmorecer, levante a cabeça
e acredite que a vida
é bem maior do que eles dizem.
Que seja como diz o poeta
que acredita mais na moça do que na dor
e prefere dar ouvidos à criança
ao invés de se entregar ao que não foi.
Acorda pra vida, menina
Por que ela não espera
e um dia você vai estar muito velha
para sorver tudo o que ela tem para lhe dar.
Acorda, menina
E se torna essa mulher
Cheia de sonhos, desejos e planos.
Acorda para ser quem você é.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
28/08/2006 16:34
Tem uma pedra no meio do caminho. Desculpem o plágio, mas não encontro melhor definição para o momento em que vivo. Os pés estão pesados, os olhos cansados e as costas parecem puxar algo grande demais para minhas possibilidades. O que me mortifica é a possibilidade de estar voltando ao ponto de partida, quando eu me sentia vazia pelas conquistas não-realizadas.
A verdade é que os sonhos nutridos por mim e outrora guardados na gaveta agora gritam, ensurdecedoramente, na ansia de serem ouvidos e realizados. Mas, embora tenha as ferramentas e todo o conhecimento necessário, sinto que me falta a força. Pior. Sinto que me falta a coragem.
Já procurei-me escorar na coragem alheia, buscando em outrem o impulso para dar cabo às minhas realizações. No entanto, descubro, agora, que primeiro é preciso livrar-me de minhas próprias limitações. Ou, como um dia disse um amigo, dos medos pré-fabricados dos quais tomei posse quando aind adolescente.
Sinto que meus vazios se sucedem e se repetem. Uma sequencia aterrorizante de boracos repletos de medos e seguidos, consequentemente, de grandes frustrações. Não falo de ninguém em especial. Cheguei a fatídica conclusão de que a minha estrela somente brilhadará quando eu resolver encarar o sucesso e suas responsabilidades como gente grande. Pois sim. Quem acabou de vomitar estas palavras, foi a meninininha que reluta em amadurecer e aparecer para o mundo dos adultos.
Ps. Uma amiga abriu-me as pálpebras e me deu um pouco de esperança quanto à esta pseudo-escuridão na qual me encontro momentaneamente:
"A luz é mais bonita quando acesa na escuridão"
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
28/08/2006 14:34
O confiar plenamente liberta, salva e desorganiza
Ela gostaria de ter decretado a "liberdade psiquica" há tempos. Talvez falte muito. A princesa necessita, urgentemente, abandonar conceitos e diminuir a importância dos outros em sua vida. Putz! Para se encontrar e caminhar sozinha ela precisa pôr-se a distância? Pensa, às vezes, que sim. Seria bom tomar decisões sem a interferência de amigos, conhecidos, psicólogos ou família. Mas a partir do momento em que a "garotinha" confia, ela relaxa. É é aí que o pensamento de alguém se torna o dela.
Por que precisa tanto dos outros para destinguir se a sua vontade é correta ou não? Não pode ser natural duvidar do que ela acha que é digno. É phoda um ser humano desconfiar das suas vontades. Os livros estão cheios de depoimentos semelhantes aos da princesinha... Entretanto, nenhum deles serve para suprir tamanha carência e falta de firmeza. Talvez ela ainda viva num espaço virtual cheio de palhaços, anjinhos e bandidos. Pode ser mesmo que a sua alma infantil, ainda, esteja presa num corpo já ameaçado em "sentir" as marcas do tempo.
Talvez seu erro seja a insistência numa "saudade eterna"... Saudade de quando a família se falava sem rancor. Saudade das comemorações do Natal e Ano Novo que eram, obrigatoriamente, realizadas na casa do seu avô. Saudade do avô que se foi há mais de seis anos. Saudade da "primalhada" reunida na "eterna 94". Saudade das férias escolares e da praia de Boa Viagem (naquela época o tubarão não comia a gente). Nostalgia de tudo!
Hoje ela tem dificuldade em conviver com realidades diferentes. Não deveria ser assim. Instante diferente não pode significar, necessariamente, um momento cruel. Mas é assim que ela funciona. É assim que ela sente, mesmo sem querer sentir. Em certos momentos a sua fragilidade ou agressividade é tanta que consegue ter saudade de situações que ainda nem viveu. Sonha com pessoas que não mais existirão. E é aí que a mulher malcriada chora desesperadamente por um abraço que não mais receberá. Sensibilidade? Ela acredita que não.
Por MissHeyJude
enviada por Adoráveis Dragões
24/08/2006 09:01
Tenho analisado meus passos desde o "falecimento" da minha psicóloga - não da pessoa, é claro. Mas de tudo o que ela representava em minha vida. Eu que um dia pensei não poder andar com minhas próprias pernas sem as palavras sempre seguras de minha gurua neural, me pego surpresa com a minha total "desnecessidade" daquelas horinhas semanais.
Pois é. Paraço mesmo ter, enfim, decretado minha liberdade psiquica. O momento mostra-se tão propício que até mesmo o chato do fulano está colaborando para o bem geral da nação marianesca. Ando querendo sorrir mais e melhor; distribuir bons dias a todos que me cercam; doar abraços bem apertados e meter o bedelho na vida de todo mundo - afinal, falar da vida dos outros é uma ótima terapia.
Estou considerando que este é um retrato da felicidade. Minhas costas não estão mais preocupadas em carregar o resto do mundo e ando mesmo procurando o real significante da antiga expressão latina "Carpe Dien". Quero aproveitar meus dias ao máximo.
Uma maturidade tardia, talvez? Medo de envelhecer sem aproveitar as coisas boas às quais tenho acesso, quem sabe. Mas acho mesmo que é uma vontade grande danada de viver e ser feliz. Feliz de uma forma bem descompromissada; sem apressar os ponteiros do tempo; sem comparações com qualquer outro ser; sem cobranças. E viver assim é tão gostoso. Todo mundo deveria experimentar.
Vou aproveitar este insigt e reservar um pedacinho da minha semana para enfiar os pés descalços na areia da praia, fechar os olhos e deixar que o mar, ao tocar nos meus dedinhos, leve consigo todas as máguas, todas as energias negativas, todas as bagagens desnecessárias. Hoje eu sou mais e simplesmente... Mariana.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
12/08/2006 09:15
Eu corri com meus abraços, mas não pude alcançá-la. Na ampulheta do tempo de minha avó, as areias correram apressadas e concluíram seu percurso antes da minha chegada. Nelas, ela deixou marcadas as pegadas de 82 anos de estrada e preferiu dar continuidade à sua jornada por outras paragens. Levou consigo, todos os sorrisos e todos os abraços. Como lembrança, ficou apenas uma saudade que vai além de mim e de tudo o que sou.
O tempo, caros leitores, é impiedoso. Nós - os jovens -, sempre tão famintos por mais e mais vida, ousamos desafia-lo na ilusão tola de que ele se deixará enganar. Seguimos com nossa teimosia adolescente passando pela vida, acreditando que esta poderá de sorvida em um único suspiro. Mas o tempo não perdoa. De repente, percebemos que a nossa história já está sendo escrita, quando ainda a imaginávamos e planejávamos em nossos sonhos.
Minha avó era daqueles seres, hoje em dia quase extintos, com a capacidade invejável de tirar da vida tudo o quanto ela fosse capaz de lhe dar. Por isso, sua caminhada, além de longa, foi rica. Rica em memórias, em sorrisos, em abraços, em amigos. Rica em aventura e medo. Em coragem e em amor. Rica em perseverança. Sim. Minha avó amava a vida com tudo que lhe havia de melhor.
Sempre fui alvo de seus conselhos, mas confesso não ter escutado mais que a metade. Não escutei, também, suas histórias, as quais ela tanto insistiu em me contar. Não aproveitei seu colo por tempo suficiente e tive vergonha em demasia para implorar por seus cuidados. Quando ela estava ali, de braços abertos, mãos estendidas e coração em chamas, eu estava ocupada demais tentando viver uma vida aquém do que ela poderia ter-me ensinado.
Hoje, eu estou só pela metade. Metade da minha história partiu sem despedidas, como quem tem pressa em pegar um trem pronto para ir embora. Agora, guardo a certeza amarga de seguir sem seus conselhos, sem suas memórias, tentando, aos trancos e barrancos, construir minha própria história. Conto apenas com seu legado, com a força do sangue, com as lembranças de todos os sorrisos, de todos os afagos e com a saudade desconfortável que ficou para traz.
Lembro-me agora, do que disse uma amiga: um dia, estaremos todos juntos, novamente, para resgatar o tempo o qual não soubemos aproveitar. Este dia, será um dia de festa e estaremos, então, todos imensamente felizes.
Em todas as nossas buscas, o que torna o vazio superável são os outros.
Citação extraída do filme Contato do diretor Robert Zemeckis
Baseado no romance de Carl Sagan, Contato, e escrito por James V. Hart e Michael Goldenberg.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
09/08/2006 15:47
Chega mais, me abraça
Me ataca com todo teu afeto
Pois eu te preciso por perto
Para me livrar dos males
Chega com essa sapiência
E estes olhos vorazes
Repletos de um tempo
Que ainda vive em tuas cantigas.
Desvenda-me as dores coronarianas
Revela-me os temores traiçoeiros
E ensina-me a viver tranqüila
Como a paz dos teus passos certos
Carrega-me pelos braços
Como quando eu era criança
E na minha cabeça tola
A tua existência seria eterna
E agora, que o tempo se finda
Corro, querendo chegar mais depressa
Antes que a vida te leve
Para ver outras paragens.
Mariana Lira
*para minha avó
enviada por Adoráveis Dragões
09/08/2006 10:23
Nunca entendi a razão em si, mas o fato é que vivíamos às turras, como cão e gato. Todos os dias nós inventávamos um motivo qualquer que justificasse um bate-boca casual. Não havendo motivo, a gente brigada mesmo assim. Duas adolescentes rechonchudas, com excesso de personalidade e muita energia ociosa pra gastar.
Na verdade, creio que nossas brigas deviam-se ao fato da gente se gostar pra cassete. Como duas irmãs que arengam só para fazer as pazes depois. No final das contas, tudo era uma grande diversão. E assim, a gente seguiu, entre tapas e beijos, adornando a adolescência com umas palavras não muito bonitas.
Entretanto, a gente sabe que adolescente é um ser burro. Tapado, para ser mais sincera. Um elemento perigoso, transitando entre a infantilidade e a maturidade ainda tão imatura. Com isso, as palavras que antes provocavam risos foram marcando a alma, por que sem querer, às vezes a gente exagera. E duas estranhas tomaram os lugares das irmãs que antes brigavam por pura diversão.
E a vida segue seu rumo. Nossas direções que sempre foram as mesmas mesmo aos trancos e barrancos -, foram encontrando outras bifurcações, outros caminhos, que nos afastaram por um longo tempo. Assim, acabaram-se as farpas; os sorrisos depois das brigas; e a sala de aula, de repente, ficou calada. Como se tivessem calado, também, a vida que nos mobilizava.
Depois dela, não encontrei ninguém mais para brigar. Talvez a maturidade recentemente adquirida tenha, finalmente, conseguido mostrar que é mais fácil se divertir através dos sorrisos. Então, para preencher o vazio deixado pelas farpas, abusei dos sorrisos, dos abraços aqueles bem apertados -, e dos eu te amo desinteressados.
Qual não foi minha surpresa, ao sem querer, reencontrá-la. Assim mesmo, sem brigas. Uma irmã reinventada, novinha em folha. Mais madura, mais mulher. Um novo espelho para esta que vos fala. O mais interessante é que não houveram brigas ou troca de farpas. Ao que me parece, ela também deve ter aprendido que é mais gostoso ser feliz quando a gente ama os amigos, ao invés de querer esmurrá-los.
As coisas agora estão serenas. Apesar do reencontro, nossos contatos têm sido através de linhas de comunicação não-convencionais. Nenhum contato real até então, apesar de haver mil propostas para milhares de cachaças. Talvez, quando ocorra o reencontro, a saudade bata, e a gente troque uns tapas só para relembrar. Só para lembrar de um tempo no qual éramos feliz e não sabíamos, quando éramos duas adolescentes, duas irmãs. Acima de tudo, duas grandes amigas.
Mariana Lira
ps. eu disse que era só ter calma ;)
enviada por Adoráveis Dragões
08/08/2006 11:23
Alguns questionamentos parecem carregar, em si, o peso do mundo inteiro. São perguntas as quais você deixa de se fazer pois, dessa forma, é mais fácil de levar a vida. E assim, vamos deixando de lado certas pendências que não poderiam ou não deveriam existir.
Essa é uma característica do ser humano. Ignorar aquilo que nos assombra, é a forma mais antiga e mais covarde de se resolver um problema. No entanto, todos nós, desde os mais fortes até os mais fracos, pelo menos uma vez na vida, calamos aquela voz interior que insiste em nos orientar, mas nunca é ouvida.
"O que há mais difícil neste mundo é o homem conhecer a si mesmo. (Thales de Mileto) Difícil, porém necessário. Certo dia, alguém me questionou a respeito do meu auto-conhecimento. A partir desta questão, fui percebendo que quase ninguém se conhece o suficiente para ser o dono de sua própria vida.
Quantas vezes, no exato momento em que estamos criando o nosso existir, paramos para perguntar: quem sou eu? Do que realmente gosto? Para onde quero, ou melhor, para onde deveria ir? Fiz, faço e farei a coisa certa? Será esta a direção correta?
E, quando finalmente se questiona, você percebe que seu pior inimigo pode ser você mesmo, sempre à espreita - a espera do momento exato para se dar uma rasteira. Você enxerga, enfim, que a ignorância dos seus quereres, medos, desejos e desafios pessoais enfraqueceu suas defesas e deixou um buraco imenso, onde deveria estar repleto da vida que deveria ter sido construída.
E quando isso acontece, a gente chega a esse ponto, onde o desespero parece calar a voz da razão e impedir que o sol apareça por detrás das nuvens. Hoje foi meu dia de despertas minhas questões mais profundas. E, sinceramente, eu não gostei nenhum pouco.
É melhor passar por ignorante uma vez, do que permanecer ignorante para sempre. ( Provérbio chinês)
enviada por Adoráveis Dragões
07/08/2006 13:19
Como eu não acredito ter sido Deus quem idealizou e concebeu a TPM, vou soltar meus cachorros, por que o Filho da Puta responsável pela invenção do tal "Transtorno Pré-menstrual" merece ouvir uns bons "vá tomar no cu" e "vá se lascar", em bom nordestinez.
É, estou com TPM. Aquele período mensal odiado, tanto por seres do sexo masculino, quanto por seres do sexo feminino. Os motivos, como todos sabem, são bem diferentes.
Eles odeiam por pura ignorância e falta de companheirismo. Não compreendem tudo o que se passa com uma mulher quando ela está prestes a menstruar. Limitam-se a fingir-se de bonzinhos, cavalheiros, bons namorados e maridos e evitam, a todo custo, qualquer tipo de conversa sobre o assunto.
Para nós, mulheres, o buraco é mais embaixo. Somo nós que sofremos, mensalmente, com enjôos, cólicas, dores nas pernas, nos braços, nos olhos, na cabela, nos seios, na bunda, no dedinho mindinho... Somos nós que vemos, diante do espelho, um esforço de um mês inteiro ser substituido pelo característico inchaço da menstruação. Somos nós que nos sentimos horríveis e acabadas. Tudo é motivo parea choro, dramas e mais algumas neuroses.
Com tudo isso, vocês, meninos, acham mesmo que teríamos a capacidade de "aumentar" um sofrimento desses? Sinceramente, me poupem que hoje estou sem paciência...
Alguns meses atrás fui a um ginecologista que me falou, à época, sobre a cura definitiva para meus percalços mensais. Eu, que faço tanto corpo mole na hora de fazer exames e coisas do gênero, resolvi as questões em uma semana e voltei a consultá-lo. Tudo para me livrar o quanto antes da difamigerada TPM.
No começo até que resolveu. Pensei que meus problemas haviam-se acabado, como bem prometem as organizações tabajaras. Qual não foi meu desespero quando percebi um leve retorno dos sintomas. Como se a ponta do Iceberg estivesse submergindo mais e mais, revelando algo que, até então, estava bem escondido.
Então, cá estou eu, novamente, à mercê das invencionices de um filho da puta que, provavelmente, não tinha o que fazer. Talvez fosse um gay com impulsos coléricos causados pela neurose de ser uma mulher aprisionada em um corpo masculino. E por causa dele, pagamos todas, todos os meses! Estou farta! Morte ao Filho da Puta que criou a TPM!
Mariana Lira X(
enviada por Adoráveis Dragões
04/08/2006 19:29
A água fez seu curto percurso através do pequeno corpo de mulher. Os ombros amoleceram embaixo do jato frio que saía do chuveiro. O pescoço estralava à cada giro da cabeça, numa busca por relaxamento.
Respirou o mais fundo possível. Fechou os olhos. Nenhum centímetro de epiderme ficou imune ao toque dos seus dedos ensaboados. A espuma branca tinha um odor infantil. Era assim que ela era sentida. Entre o cheiro bem guardado de sexo e o mais superficial de perfume floral, a discreta doçura infantil tornava sua presença desejável.
Aquela correnteza suave empurrava a espuma dos cabelos em direção aos pés. Antes desse destino final, encontrava nos seios daquela mulher duas barreiras firmes. Exuberantes de tanta vida. Olhos, bocas, mãos e cabeças tantos já desejaram um descanso naquele colo.
E tudo era adorável em momento tão recluso e solitário em meio a chuveiros, sabonetes e xampus. Canção alguma era entoada em seus banhos. Entoava pensamentos:
- Daqui a pouco ele passaria para pegá-la. Viria envolto de bons modos e delicadezas. Bem vestido. Sem perfume. Ela tinha antipatia por rapazes muito perfumados, principalmente se fossem por demais dependentes de determinados fabricantes caríssimos.
- Ele chegaria com um sorriso sério e encostaria a narina em um dos seus ombros sugando o perfume profundamente. Isso acordaria, nela, uma onda de ar subindo-lhes as pernas, revirando-lhe o útero, e enrijecendo-lhe as mamas.
Enxugou os pés brancos e delicados na toalha de chão. Aprendera sobre a importância de pisá-los fortes nos períodos difíceis da vida. E nas horas em que flutuava junto com os próprios sonhos.
Enrolou-se na toalha e, diante do espelho, observou todas as curvas por baixo daquele tecido grosso. Desejou a si mesma e sorriu.
Ao deslocar-se de um lugar a outro aveludava os caminhos. Caminhou. Deixou a toalha cair no chão do quarto e olhou-se no espelho. O quadril, a vulva, a barriga, os seios. Depois alinhou os cabelos secando-os com muita paciência e zelo.
Olhou o relógio pendurado na parede. Dezenove horas. Orlando sempre se atrasava, apesar de toda fineza que lhe era nata, mas valiam muito todos os segundos ao seu lado.
Emborcou-se nua sobre a colcha de seda. Fez das duas mãos travesseiro, onde deitou o rosto desejoso. Brincava com as pernas dobradas sacudindo no ar as pontas dos pés. Pra lá e pra cá. Indo e vindo. Tentando, vez ou outra, encostar o calcanhar no quadril. Olhos fixos no relógio. Dezenove horas e cinco minutos. Orlando atrasara-se cinco minutos. Ela já sentia saudade.
O rádio tocava baixinho todos os dias, neste mesmo horário:
Abololô, Abololô / E a saudade vem / Vem pra lhe dizer / Que no peito / Há vazio há / Falta de alguém
Abololô, Abololô / E a saudade vem / Vem pra qualquer / Um qualquer hora / Por alguém que / Foi pra longe já volta
Foi para não mais voltar / Gente que sente e que chora / Alguém que foi embora
Por Catarina
No link abaixo você encontra letra, partitura e áudio de Abololô:
http://www2.uol.com.br/marisamonte/hotsite/abertura.htm
enviada por Adoráveis Dragões
04/08/2006 08:54
E como às vezes eu sou somente metade de mim, deixo que ele decifre o que guardo em minha metade obscura e silenciosa.
beijos a todos,
Mariana Lira
Metade
Oswaldo Montenegro
"E que a força do medo que tenho, não me impessa de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos nem a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tenção que me corroe por dentro seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão
Que o medo da solidão se afaste, que convive comigo mesmo, se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia, e a outra metade é canção
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor, e a outra metade...
também".
enviada por Adoráveis Dragões
03/08/2006 21:24
Havia escrito um texto enorme sobre o poder da vida, mas descobri que não estou a fim de falar sobre isso. Nem vocês, tampouco, devem querer ler algo do tipo. Por isso, vou tentar sair com algo, no mínimo, poético. Vou tentar, por que poesia mesmo, deixo com Raquel, a minha fada dos poemas.
Ocorreu-me, agora, que nunca fizemos um texto sequer sobre o clube, sobre nossa história. O que, obviamente, é um absurdo total. Então, aproveitando o insight, destroçarei a história e as estórias dos dragões, para vocês, meus dragõezinhos.
Era uma vez no clube do dragão....
É engraçado como não enxergamos nossas potencialidades até que alguém de fora o faça por nós. E assim foi com o clube. Éramos, então, garotinhas suburbanas, saídas de colégios religiosos e - todas -, criadas sob o julgo matriarcal. Mentes brilhantes enclausuradas em modelos pequenos demais para o que poderíamos vir a ser.
É claro que não éramos umas tapadas, mas desabrochar, quando se viveu a vida inteira em um casulo, é um processo longo, complicado e demorado. A bem da verdade é que, apesar de todas as críticas, a "caótica" foi o grande meio de libertação. O veículo que nos abriu os olhos para os milhares de caminhos bem à nossa frente.
Não sabíamos, mas, juntas, nos tornávamos pouco-a-pouco um vulcão prestes a explodir e aparecer. Amadurecemos. Falo de um amadurecimento completo, intelectual, sexual, social e todos os "als" aos quais tínhamos direito. Aos poucos, fomos tomando o nosso lugar de direito entre as mentes mais belas, instigantes e brilhantes do jornalismo pernambucano. Sem falsa modéstia.
O que não sabíamos - de fato -, era o fato de sermos observadas de perto por verdadeiras bruxas. Sabem aquelas bruxas dos contos de fada? Iguais àquela que morria de inveja da branca de neve? pois é. Ao que me parece, o espelho usado por elas insistia em lhes mostrar a realidade, e elas não gostaram muito da história. Nas entrelinhas, sem que nós soubéssemos, elas criaram o clube do dragão. Lógico que com outras conotações.
Feliz ou infelizmente, as moças não tiveram a consciência de decifrar todas as nuances de ser um dragão e utilizaram-se de uma "classificação" pequena e insignificante. O enfrentamento, é claro, apenas nos libertou e nos fez entender que, de fato, éramos verdadeiros dragões. Lindos, potentes, inteligentes, sagazes, superiores e com uma fome voraz e devastadora. Fome de mundo; fome de vida; fome de contar a nossa nova história.
Tornamo-nos mulheres dragões. Toda mulher deveria experimentar tornar-se uma mulher dragão. Sem preconceitos, sem tabus, sem amarras, sem desculpas. Um dragão pronto para cuspir fogo e se afirmar como a dona da história - a dona da SUA história.
Faço, então, um convite a todas as leitoras (desculpem, meninos. Vocês devem se sentir privilegiados em ter um dragão dentro de casa, mas ser dragão, é privilégio nosso). Tornem-se os dragões que nasceram para ser. Libertem-se dos grilhões, decretem a sua independência e ouçam mais o que o fulano sentado no ombro esquerdo de cada uma - sim, eu sei que vocês também têem um enchendo o saco -, e chutem o pau da barraca, mandem todo mundo pras cucuias. E se amanhecerem com vontade de mandar alguém tomar no, mandem mesmo, mandem ver. Mas, sejam educadas. Dêem bom dia primeiro.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
01/08/2006 15:05

Senhores leitores dragoníferos, venho à esta tribuna confessar meus pecados, libertar meus monstros e pedir socorro. Após ter chutado o pau da barraca ao quase mandar minha psicóloga pras cucuiais, volto a este confessionário com a alma necessitada daquela horinha boba em cima do divã transmutado. Ao contrário do especulado por mim, não consegui domar os impulsos diabólicos do fulano instalado em meu ombro esquerdo e estou ficando louca - literalmente.
É difícil assumir, porém necessário. Não dizem que todo viciado tem que, primeiramente, enfrentar e aceitar suas fraquezas? Pois bem, aqui estou eu para assumir, solenemente, minha quase total dependência da finada psicóloga. A revolta inicial, como era de se esperar, parece ter-se dissipado frente ao buraco em minhas emoções. Estou vazia. Vazia das palavras orientadoras daquela que, um dia, eu quase mandei tomar no cu.
Eu sei, eu sei... Tanto barulho por nada.. Briguei, arenguei, bati o pé e acabei fazendo com que as tais couraças sobre as quais ela tanto fala ganhassem mais algumas grossas camadas. Bem pesadas, devo frisar. Pareço, enfim, estar carregando o peso do mundo inteiro nessas costas tão frageizinhas. Peço socorro... SOCORROOOOOO!!!!!!!! à minha saudosa psicopegadoida... no sentido mais literal da palavra.
Como o telefone dela só faz tocar sem me dar nenhuma resposta, ando fazendo uso de alguns artifícios. Nas minhas andanças pela rede dei de cara com alguns sites interessantes que falam sobre essa coisa da ansiedade e da vontade de correr mais do que as próprias pernas permitem. Informações até interessantes. Umas irrelevantes, outras de bastante valia. As instruções são básicas. Respire fundo, elimine pensamentos negativos, procure atividades que gastem energia... sim, eu sei de tudo isso, mas não sei por que, logo comigo, nada disso funciona. Então, apelo, raríssimas vezes, para o maldito e velho cigarrinho.
Mas estou precisando mesmo é da peste da psicóloga. Com todas as suas chatices e maezices era ela quem me trazia de volta, quem grudava meus pés no chão, e me tornava uma pessoa melhor e menos neurótica. Sim, ela conseguia essa proeza! Por isso sinto falta, esperneio e suplico: Dona Maria do Carmo, volta!!!!!!!!
enviada por Adoráveis Dragões
31/07/2006 12:28
Olhos sorridentes, assim como os lábios, ele vive de braços abertos, pronto para abraçar a vida. O jeito maroto, de garotinho levado, esconde uma virilidade colérica e devastadora. Amante da arte do convencer, sobrevive em um mundo repleto de cores, sabores e percalços diários os quais ele adora, devo dizer. Líder por natureza, está sempre à frente de seu tempo, como se quisesse correr mais rápido a fim de chegar, aonde quer que seja, antes da própria vida.
Dono de uma alegria contagiante, é também senhor de uma personalidade instigante e criativa. Por isso, vive cercado de amigos, amigas e pretendentes estas, aos montes. Pudera. Nos dias de hoje a mulher que tiver ao seu lado um homem com a capacidade de transitar entre a modernidade, o romantismo e o cavalheirismo, pode-se considerar uma vitoriosa. Sorte a minha.
Seu cheiro me leva direto ao paraíso. Calafrios, arrepios, estremecimentos são normais quando estou frente a frente com este mestre do conquistar. Seus gestos parecem, todos, friamente calculados, como se conseguissem vislumbrar o resultados de todas as suas investidas.
Amá-lo é como estar em uma montanha russa. A cada curva, cada nova parte do caminho, sempre e necessariamente -, haverá algo novo com o que se surpreender; a se aprender; a se experimentar. Estar com ele é, em suma, se aventurar diariamente por entre suas diversas facetas.
Vaidoso por natureza e convicção, faz questão de se mostrar sempre de forma impecável. Gosta da boa culinária e se sente em casa quando em meio ao conforto e ao luxo. Sonha sempre alto, o mais alto que suas asas imaginárias permitem. E jamais jamais -, perde a esperança no ser humano. Essa é, com toda a certeza, a grande vantagem em tê-lo ao lado, sempre comigo.
Ele resume em pequenos atos, todas as razões pelas quais estamos juntos. Depois de perder a fé num grande amor; quando eu deixei de acreditar que este coração voltaria a bater acelerado; ele surgiu no meu caminho, fazendo de seus sonhos, meus planos para um novo futuro lado a lado.
Todos os dias digo que o amo. Não por costume, mas sim, necessidade. Necessidade de lembrar-me diariamente de tudo que de bom ainda existe em mim. Entretanto, devido a problemas da psicose humana, não sei se o tenho feito da melhor forma, ou da mais adequada. Talvez ele saiba que eu o amo, mas não entenda o por que.
Eu te amo por você estar sempre comigo. Por ser companheiro, amante e amigo. Por me ensinar, dia após dia, a distribuir mais e mais sorrisos dá-los de graça, como você bem o faz, é muito mais prazeroso e divertido. Eu te amo por que és cheio de defeitos, manias e chatices e, justamente por isso tudo, és o mais perfeito que existe.
Te amo por que quando perdi a fé no amor, foi você quem me mostrou o verdadeiro sentido em se amar outra pessoa: quando amamos dessa forma assim, desmedida, nos tornamos pessoas melhores, mais fortes, mais vividas. E é por tudo isso, e tantos outros issos, que eu continuarei te amando. Te amando, assim, de uma forma bem simples.
Mariana Lira
pra vc ;)
enviada por Adoráveis Dragões
30/07/2006 11:13
PARA TODO HOMEM LER, APREENDER E APRENDER
Um homem me perguntou como eu o beijaria caso ele fosse uma mulher; perguntou se havia diferença entre beijar lábios masculinos ou femininos_ havia, e eu simplesmente mostrei como: Aproximei meus lábios dos dele, sem pressa, num gesto delicado, ameaçando tocá-lo, mas fazendo pequenas pausas, exibindo uma falsa hesitação, tocando seu queixo com a ponta dos dedos, encerando a carne de sua boca com as digitais, imprimindo seda sobre sua pele branca.
Pedi a ele que respirasse devagar e que retribuísse minha delicadeza, incorporando a passividade de uma dama virgem de contatos homossexuais. Sim, porque as heterossexuais convictas são mais interessantes do que as lésbicas propriamente ditas, exatamente por conservarem aquele torpor de quem não sabe se está pecando ao se deixar tocar por outra mulher. A passividade permite um beijo menos invasivo, reprimido, sem sofreguidão ou certezas.
Quando toquei seus lábios, mantive a lentidão e o toque quase imperceptível, movimentando os lábios vagarosamente e mantendo a língua adormecida. Ele me acompanhou com destreza, parecia mesmo ter uma garotinha dentro de si; e só se delatou por não conseguir disfarçar a erupção sanguínea da genitália, revelando um limiar de formação rochosa.
Quando acabei (me afastando lentamente e beijando-o de maneira superficial, em leves selos descarimbados), ele me fitou docemente_ parecia realmente ter trocado de sexo durante aquele beijo.
São lábios, dentes, línguas, saliva... Porque a distinção sexual do beijo brotaria divergências? Simples...
Um homem parece ensaiar uma penetração durante cada contato labial, deseja sempre invadir uma profundidade muitas vezes inexistente, marca o território com uma força temporariamente dispensável.
A mulher está sempre pronta a receber, abre-se, desabrocha-se, visualiza uma penetração sutil.
É por isso que sempre preferi as mulheres delicadas, vaidosas, essencialmente meninas cor-de-rosa... Se for para pegar uma versão feminina de caminhoneiro, prefiro um macho de verdade.
(Texto que me deixou encantada e muito pensativa sobre a ignorância masculina. Extraído do polêmico e famoso blig www.cooper.blig.ig.com.br, escrito por Fernanda Lizardo ou Cooper)
Por Catarina Rocha
enviada por Adoráveis Dragões
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