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| Nome: Ador�veis Drag�es |
| Idade: Na flor dos 25 |
| Moro em: Pernambuco. |
| Gosto de: Cerveja, cinema, boa conversa, boa literatura e, sem falso moralismo, sexo |
| N�o Gosto de: Gente besta |
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04/08/2006 19:29
A água fez seu curto percurso através do pequeno corpo de mulher. Os ombros amoleceram embaixo do jato frio que saía do chuveiro. O pescoço estralava à cada giro da cabeça, numa busca por relaxamento.
Respirou o mais fundo possível. Fechou os olhos. Nenhum centímetro de epiderme ficou imune ao toque dos seus dedos ensaboados. A espuma branca tinha um odor infantil. Era assim que ela era sentida. Entre o cheiro bem guardado de sexo e o mais superficial de perfume floral, a discreta doçura infantil tornava sua presença desejável.
Aquela correnteza suave empurrava a espuma dos cabelos em direção aos pés. Antes desse destino final, encontrava nos seios daquela mulher duas barreiras firmes. Exuberantes de tanta vida. Olhos, bocas, mãos e cabeças tantos já desejaram um descanso naquele colo.
E tudo era adorável em momento tão recluso e solitário em meio a chuveiros, sabonetes e xampus. Canção alguma era entoada em seus banhos. Entoava pensamentos:
- Daqui a pouco ele passaria para pegá-la. Viria envolto de bons modos e delicadezas. Bem vestido. Sem perfume. Ela tinha antipatia por rapazes muito perfumados, principalmente se fossem por demais dependentes de determinados fabricantes caríssimos.
- Ele chegaria com um sorriso sério e encostaria a narina em um dos seus ombros sugando o perfume profundamente. Isso acordaria, nela, uma onda de ar subindo-lhes as pernas, revirando-lhe o útero, e enrijecendo-lhe as mamas.
Enxugou os pés brancos e delicados na toalha de chão. Aprendera sobre a importância de pisá-los fortes nos períodos difíceis da vida. E nas horas em que flutuava junto com os próprios sonhos.
Enrolou-se na toalha e, diante do espelho, observou todas as curvas por baixo daquele tecido grosso. Desejou a si mesma e sorriu.
Ao deslocar-se de um lugar a outro aveludava os caminhos. Caminhou. Deixou a toalha cair no chão do quarto e olhou-se no espelho. O quadril, a vulva, a barriga, os seios. Depois alinhou os cabelos secando-os com muita paciência e zelo.
Olhou o relógio pendurado na parede. Dezenove horas. Orlando sempre se atrasava, apesar de toda fineza que lhe era nata, mas valiam muito todos os segundos ao seu lado.
Emborcou-se nua sobre a colcha de seda. Fez das duas mãos travesseiro, onde deitou o rosto desejoso. Brincava com as pernas dobradas sacudindo no ar as pontas dos pés. Pra lá e pra cá. Indo e vindo. Tentando, vez ou outra, encostar o calcanhar no quadril. Olhos fixos no relógio. Dezenove horas e cinco minutos. Orlando atrasara-se cinco minutos. Ela já sentia saudade.
O rádio tocava baixinho todos os dias, neste mesmo horário:
Abololô, Abololô / E a saudade vem / Vem pra lhe dizer / Que no peito / Há vazio há / Falta de alguém
Abololô, Abololô / E a saudade vem / Vem pra qualquer / Um qualquer hora / Por alguém que / Foi pra longe já volta
Foi para não mais voltar / Gente que sente e que chora / Alguém que foi embora
Por Catarina
No link abaixo você encontra letra, partitura e áudio de Abololô:
http://www2.uol.com.br/marisamonte/hotsite/abertura.htm
enviada por Adoráveis Dragões
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