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| Nome: Ador�veis Drag�es |
| Idade: Na flor dos 25 |
| Moro em: Pernambuco. |
| Gosto de: Cerveja, cinema, boa conversa, boa literatura e, sem falso moralismo, sexo |
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12/08/2006 09:15
Eu corri com meus abraços, mas não pude alcançá-la. Na ampulheta do tempo de minha avó, as areias correram apressadas e concluíram seu percurso antes da minha chegada. Nelas, ela deixou marcadas as pegadas de 82 anos de estrada e preferiu dar continuidade à sua jornada por outras paragens. Levou consigo, todos os sorrisos e todos os abraços. Como lembrança, ficou apenas uma saudade que vai além de mim e de tudo o que sou.
O tempo, caros leitores, é impiedoso. Nós - os jovens -, sempre tão famintos por mais e mais vida, ousamos desafia-lo na ilusão tola de que ele se deixará enganar. Seguimos com nossa teimosia adolescente passando pela vida, acreditando que esta poderá de sorvida em um único suspiro. Mas o tempo não perdoa. De repente, percebemos que a nossa história já está sendo escrita, quando ainda a imaginávamos e planejávamos em nossos sonhos.
Minha avó era daqueles seres, hoje em dia quase extintos, com a capacidade invejável de tirar da vida tudo o quanto ela fosse capaz de lhe dar. Por isso, sua caminhada, além de longa, foi rica. Rica em memórias, em sorrisos, em abraços, em amigos. Rica em aventura e medo. Em coragem e em amor. Rica em perseverança. Sim. Minha avó amava a vida com tudo que lhe havia de melhor.
Sempre fui alvo de seus conselhos, mas confesso não ter escutado mais que a metade. Não escutei, também, suas histórias, as quais ela tanto insistiu em me contar. Não aproveitei seu colo por tempo suficiente e tive vergonha em demasia para implorar por seus cuidados. Quando ela estava ali, de braços abertos, mãos estendidas e coração em chamas, eu estava ocupada demais tentando viver uma vida aquém do que ela poderia ter-me ensinado.
Hoje, eu estou só pela metade. Metade da minha história partiu sem despedidas, como quem tem pressa em pegar um trem pronto para ir embora. Agora, guardo a certeza amarga de seguir sem seus conselhos, sem suas memórias, tentando, aos trancos e barrancos, construir minha própria história. Conto apenas com seu legado, com a força do sangue, com as lembranças de todos os sorrisos, de todos os afagos e com a saudade desconfortável que ficou para traz.
Lembro-me agora, do que disse uma amiga: um dia, estaremos todos juntos, novamente, para resgatar o tempo o qual não soubemos aproveitar. Este dia, será um dia de festa e estaremos, então, todos imensamente felizes.
Em todas as nossas buscas, o que torna o vazio superável são os outros.
Citação extraída do filme Contato do diretor Robert Zemeckis
Baseado no romance de Carl Sagan, Contato, e escrito por James V. Hart e Michael Goldenberg.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
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