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| Nome: Ador�veis Drag�es |
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| Moro em: Pernambuco. |
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09/08/2006 10:23
Nunca entendi a razão em si, mas o fato é que vivíamos às turras, como cão e gato. Todos os dias nós inventávamos um motivo qualquer que justificasse um bate-boca casual. Não havendo motivo, a gente brigada mesmo assim. Duas adolescentes rechonchudas, com excesso de personalidade e muita energia ociosa pra gastar.
Na verdade, creio que nossas brigas deviam-se ao fato da gente se gostar pra cassete. Como duas irmãs que arengam só para fazer as pazes depois. No final das contas, tudo era uma grande diversão. E assim, a gente seguiu, entre tapas e beijos, adornando a adolescência com umas palavras não muito bonitas.
Entretanto, a gente sabe que adolescente é um ser burro. Tapado, para ser mais sincera. Um elemento perigoso, transitando entre a infantilidade e a maturidade ainda tão imatura. Com isso, as palavras que antes provocavam risos foram marcando a alma, por que sem querer, às vezes a gente exagera. E duas estranhas tomaram os lugares das irmãs que antes brigavam por pura diversão.
E a vida segue seu rumo. Nossas direções que sempre foram as mesmas mesmo aos trancos e barrancos -, foram encontrando outras bifurcações, outros caminhos, que nos afastaram por um longo tempo. Assim, acabaram-se as farpas; os sorrisos depois das brigas; e a sala de aula, de repente, ficou calada. Como se tivessem calado, também, a vida que nos mobilizava.
Depois dela, não encontrei ninguém mais para brigar. Talvez a maturidade recentemente adquirida tenha, finalmente, conseguido mostrar que é mais fácil se divertir através dos sorrisos. Então, para preencher o vazio deixado pelas farpas, abusei dos sorrisos, dos abraços aqueles bem apertados -, e dos eu te amo desinteressados.
Qual não foi minha surpresa, ao sem querer, reencontrá-la. Assim mesmo, sem brigas. Uma irmã reinventada, novinha em folha. Mais madura, mais mulher. Um novo espelho para esta que vos fala. O mais interessante é que não houveram brigas ou troca de farpas. Ao que me parece, ela também deve ter aprendido que é mais gostoso ser feliz quando a gente ama os amigos, ao invés de querer esmurrá-los.
As coisas agora estão serenas. Apesar do reencontro, nossos contatos têm sido através de linhas de comunicação não-convencionais. Nenhum contato real até então, apesar de haver mil propostas para milhares de cachaças. Talvez, quando ocorra o reencontro, a saudade bata, e a gente troque uns tapas só para relembrar. Só para lembrar de um tempo no qual éramos feliz e não sabíamos, quando éramos duas adolescentes, duas irmãs. Acima de tudo, duas grandes amigas.
Mariana Lira
ps. eu disse que era só ter calma ;)
enviada por Adoráveis Dragões
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