Nome: Ador�veis Drag�es
Idade: Na flor dos 25
Moro em: Pernambuco.
Gosto de: Cerveja, cinema, boa conversa, boa literatura e, sem falso moralismo, sexo
N�o Gosto de: Gente besta


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20/09/2006 15:24
Um dia, acordamos e percebemos novos traços no rosto. E notamos que, nos cabelos, alguns fios brancos começam a aparecer. A boca e os olhos parecem ressequidos e a pele não tem o mesmo brilho de outrora. De frente para o espelho, não nos reconhecemos mais.

Pequenas tarefas do dia-a-dia, como escovar os cabelos; varrer a sala; segurar uma caneca de chá quentinho são sentidas como verdadeiros desafios pois o corpo, que um dia foi forte e vigoroso, amanheceu enfraquecido e trêmulo. Lembrar de certas coisas, então, é um verdadeiro sacrifício. E a vida que a gente um dia teve vai sumindo aos poucos, sob a regência impiedosa do tempo.

Remando contra a maré, a mente parece saltitar com tanta juventude, altruísmo e ousadia. Resiste em ver-se como um mulecote, correndo pelado pelo meio da rua. É quando a teimosia abre espaço para um bicho chamado depressão, nos fazendo acreditar que nossos sonhos ficaram limitados pelas restrições do corpo.

Mas o ser humano... Ahhh, o ser humano! Deus nos fez capazes de adaptar-nos às mais adversas situações. Taí a evolução que não me deixa mentir. E, nesse turbilhão, a gente aprende a ver a vida com outros olhos, sorvendo dela outros prazeres; aplicando em cada nova experiência todo o imenso hall de coisas as quais aprendemos durante a longa caminhada.

Corpo e mente entram em um consenso e já não existe mais a necessidade da pressa, da exatidão das horas. A vida começa a ser levada em bossa nova e todos nós nos tornamos meio baianos. Os netos tomam os lugares dos filhos; as baladas são substituídas por caminhadas na praia, nas praças e por divertidos bailes românticos. Tudo é uma “revivência” de um passado, agora reinventado no presente imposto pelas circunstâncias.

E a beleza, outrora juvenil, se traveste com outras cores. Uma beleza mais poética, mais serena. Uma beleza que mescla estética com paciência e encanta a todos de uma maneira doce e lépida. De frente ao espelho, começamos a reconhecer aquele antigo rosto, em um totalmente modificado. Vamos assumindo uma nova forma; construindo uma nova vida; provando, a cada dia, a força que ainda se oculta dentro de nós.

Neste dia, então, munidos de uma nova vida e de um novo “eu”, cheios de coragem e de uma vontade danada de viver, conseguiremos entender o que é, enfim, envelhecer.


Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões






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