Nome: Ador�veis Drag�es
Idade: Na flor dos 25
Moro em: Pernambuco.
Gosto de: Cerveja, cinema, boa conversa, boa literatura e, sem falso moralismo, sexo
N�o Gosto de: Gente besta


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05/10/2006 09:30
Coração tem rachaduras por todo o lado

Gostaria de ser uma mulher excessivamente bondosa, daquelas que não raciocina para realizar boas ações. A moça, idealizada por mim, não censuraria a atitude de um ser humano ao pedir esmolas e nem faria críticas severas aos que insistissem limpar o vidro de seu carro. A mulher dos meus inventos, jamais, deixaria de oferecer a uma criança duas conchas de feijão e/ou uma porção de arroz. Ela respiraria sensibilidade, antes de expelir um “NÃO”.

É triste compreender os atos da princesinha aqui. A minha inclinação para o bem sempre foi limitada e acho que, assim, sempre será. Muitas vezes, não ajudei ao próximo, porque esse próximo me causava pânico, terror, um medo desmedido. Lembro como se fosse hoje de um homem cabeludo e, aparentemente, sujo que habitava a rua da minha casa, por volta de 1995. Assustei-me, inúmeras vezes, ao enxergá-lo. Entretanto, era esse mesmo homem que reproduzia nas calçadas da redondeza os mais lindos desenhos que já vi. Naquele corpo espantoso residia um extraordinário artista. Penso que praticar atos bondosos está relacionado, quase sempre, às aparências dos que requerem. Já dizia a minha avó que o exterior das pessoas nos engana mesmo...

Quando somos pequenos refletimos sobre algumas situações, no mínimo, criativas e/ou estranhas. Por volta dos meus 11 anos ficava imaginando como eu retornaria para casa se tivesse esquecido o dinheiro do ônibus. Com certeza tentaria ligar para meus pais ou avos. Se não conseguisse entrar em contato com eles, me desesperaria. Mas acho que, depois dos três primeiros minutos de angústia, pediria passagem a alguém (o meu destino seria uma pessoa que, logo de início, se identificasse comigo). Mas será que esse ser humano acreditaria em minha sinceridade?

Tenho uma história para contar sobre um fato que aconteceu com o meu pai, na última segunda-feira. Esse relato serve para comprovar que a imaginação dos pequeninos, às vezes, pode significar severas realidades. Mas enfim, tudo ocorreu num estacionamento de um grande supermercado aqui em Recife. Meu pai estava arrumando as compras na mala do carro quando um homem pediu a sua atenção. O indivíduo de, aproximadamente, 55 anos, mostrava-se abatido e nervoso. Com os lábios e mãos tremulas retirou algo de sua bolsa preta.

Olhando profundamente dentro dos olhos do meu pai, o desconhecido disse: “isso aqui, moço, é a minha carteira de trabalho e estou há mais de um ano desempregado. Poderia me ajudar com algum trocado? Sinto muita fome”. Meu pai entregou ao senhor os seus dois últimos reais. Como tinha acabado de fazer a feira semanal, também doou dois quilos de feijão. Naquela hora, inesperadamente, o pobre homem retirou da mesma bolsa preta, uma folha de papel. E então acrescentou: “este aqui senhor, é o meu certificado de conclusão do segundo grau”.

Não consigo entender a vida.

Bjs,

Por MissHeyJude
enviada por Adoráveis Dragões






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