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| Nome: Ador�veis Drag�es |
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| Moro em: Pernambuco. |
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04/10/2006 12:13
Enfrentando o Dragão
Não gosto de mudanças. Nunca gostei. Para falar a verdade, se dependesse única e exclusivamente de mim, minha vida seria como um daqueles anúncios de margarina. Tudo muito bonito e em seus devidos lugares. Mas a vida, feliz ou infelizmente, não é assim.
Coisas acontecem; pessoas vão embora, outras vão chegando. Uma hora você perde o emprego e em um momento seguinte encontra um ainda melhor. Ou não. Num momento você está por cima. Em outros está tão por baixo que chega a se perguntar se realmente merece tudo aquilo. A vida é mesmo cheia de altos e baixos, mesmo que isso seja um clichê muito clichê para alguém que se diz jornalista.
Um fato que, ao mesmo tempo me conforta e me apavova, é a realidade de nossa geração. Passamos por tantos acontecimentos catastróficos; somos os espectadores de mudanças tão bruscas nos valores e percepções do mundo; vemos, dia após dia, a ética que nossos pais nos ensinaram quando crianças, ruir numa velocidade tão estonteante frente à falta de escrúpulos do ser humano que o medo do enfrentamento, do amadurecimento, do crescimento é visto como natural e até saudável.
Entretanto, ou aprendemos a lidar com as mudanças ou ficaremos no ostracismo, presos eternamente no porão de uma vida que se desenrola sem que dependa de nossa existência. Pensando nisso, lembro de uma frase, extraída de um poema de Johann Franck, que me deu algum suporte para seguir em frente, sem esmorecer diante das várias batalhas inerentes ao simples ato de existir: Enfrente o dragão. Enfrente o medo. O Mundo pode esbravejar e tremer. Mas eu continuarei cantando, em perfeita paz.
Continuar cantando em perfeita paz não é tão fácil, todos nós sabemos. Mas é o mais certo. Deixar que o medo do novo nos assombre e feche as portas para diferentes caminhos, é desvalorizar a vida, esse presente o qual recebemos de Deus. Assim, a gente respira fundo, engole o choro e segue em frente, mesmo com os pés insistindo em permanecerem cravados no solo antigo.
Então, ao invés de anúncio de margarina, luto com meus monstros internos para fazer de minha vida um filme de aventura, desses estrelados por Harrison Ford. Quero viver; aprender a existir; cair e levantar de novo; temer o que vier pela frente mas nem por isso paralisar o transcorrer dos fatos. Quero mergulhar de cabeça; pagar o preço e ver o que acontece. No fim, como diz o ditado, entre mortos e feridos, todos estarão salvos.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
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