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| Nome: Ador�veis Drag�es |
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11/11/2006 15:50
Resolvi, então, concentrar-me no barulho do relógio. Às vezes gosto dele. Às vezes ele me irrita.
Fechei os olhos e fixei meu pensamento no estalar do ponteiro dos segundos. Precisava esvaziar meu cérebro e meu coração que, ultimamente, agiam por uma força própria que parecia não vir de mim.
Era difícil sincronizar a respiração com o arrastar do relógio, mas dentro de pouco tempo ficavam imperceptíveis o som dos automóveis na rua, do latido do cachorro, do ventilador e dos eletrodomésticos.
Dali a pouco tudo o que não era relógio silenciava e o tic-tac crescia estrondosamente. Só havia ele sobre o mundo inteiro. Era o ápice daquela meditação.
Cheguei a uma conclusão repentina que dedicar-se demais a alguém é assim. É assim voltar-se exageradamente para algo. Uma pessoa... uma história... um pensamento... um problema... Um defeitozinho acaba por avolumar-se, abafando qualidades.
Eu tenho mesmo essa característica incontrolável de valorizar demais uma tristeza, por exemplo... e deixá-la tornar-se gigantesca de tanto obcecar-me por ela.
Acordei há pouco.
Acabei por cair no sono, tentando imaginar, de olhos fechados, a que posição corresponderia um certo barulho do ponteiro maior.
Sempre fui assim... Buscava no sono a fuga para as minhas inquietações martirizantes.
Por Catarina Raquel Rocha
enviada por Adoráveis Dragões
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