Nome: Ador�veis Drag�es
Idade: Na flor dos 25
Moro em: Pernambuco.
Gosto de: Cerveja, cinema, boa conversa, boa literatura e, sem falso moralismo, sexo
N�o Gosto de: Gente besta


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05/01/2007 14:11
Poesia sem dono

De alma dolorida
De peito comprimido
De garganta sufocada
De grito contido
De ombros pesados
De cabeça agoniada

Vomito minhas certezas
Para engolir minhas verdades
Seguindo eternamente prisioneira
De minhas próprias vaidades.

E assim, o corpo que já não suporta
A alma dorida que já não comporta
O peso de minhas ansiedades,
Vai-se, quase morrendo de tanta saudade,
Da menina que um dia, tola,
Ousou-se enxergar por inteiro.

Derramo, então, meu desespero
Nesta hora torta, quando eu prefiro
Quebrar meus espelhos
Trancar minhas portas
Renegando, claramente
Tudo o que um dia eu fui.

Renegando o alimento
Que Deus deu
Não estou no tempo
Não me fixo no espaço
Me trespaço
Me desfaço
Me disfarço
Insatisfeita
Insaciável

O desencontro de mim mesma
Me envenena o sangue
Que corre quente em meu corpo quase morto
E a vida
Nunca estou onde ela está
Nunca está onde eu estou


Não há sopro de movimento
Em meus planos
Nem olhar de completude
Por além dos vidros
Que as estações dos meus sentimentos embaçam
Ofuscando meu futuro de desejos

Molhei meu lábio
Na taça da vida
Senti o gosto de participar do banquete
Mas secou
Ficou o gosto longe
Pois quando acho que estou plena
Desperto
Desperto



Por Raquel Rocha e Mariana Lira

enviada por Adoráveis Dragões






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