Nome: Ador�veis Drag�es
Idade: Na flor dos 25
Moro em: Pernambuco.
Gosto de: Cerveja, cinema, boa conversa, boa literatura e, sem falso moralismo, sexo
N�o Gosto de: Gente besta


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30/01/2007 10:27
Sorriso safado, cerveja. No céu, uma lua de arrombar a rotina, como bem diria o Chico. Som de Tom dançando no ar, aroma de bossa nova, tempo quente, quase escaldante. Na rua, gente passando apressada, passeando, pensando em nada, ou em tudo. A mão dele deslizando na perna dela. Maçãs do rosto enrubescidas e uma coisa que vai descendo do estômago para outros órgãos, mais embaixo.

Os olhos dele nos seios dela - desejo. A boca dela no peito dele – tesão. Taquicardia nos corações e um arrepio danado que vai subindo pela espinha. Mais cervejas, mais sorrisos, mais afagos. As mãos dele migram para outros lugares, indiscretas, e ela se contorce na cadeira, sedenta. Agora é o Alceu que desfila pelo ar, falando de uma moça de olhos de gato e ele fixa os olhos nos olhos dela, hipnotizado. O garçom interrompe, cortez, e é quase linchado.

Boca na nos lábios dela, bem de leve. Uma língua que não para quieta, anseio. Braços que pedem mais abraços, pernas que buscam por outras pernas, em enlace. Corpos que não se detém nas barreiras físicas das roupas e dos sapatos.

Decide, enfim, pedir a conta. Quando ela sai, deixa marcas sob o estofado da cadeira antiga, como tantas outras já deixaram. Ele apressa-se em abrir a porta, quase louco. Quando entram no carro mal-iluminado, as mãos dele deleitam-se na maciez da pele dela, arrepiada e febril. Extinto selvagem, pudor pueril e uma vontade insana de se sentirem libertos.

Quatro paredes, ambiente fechado, pele com pele. Sacanagem nos ouvidos, entre as pernas, no seio, na boca. Ela brinca com a pressa dele, diabólica. Olha de soslaio, faz beicinho, desliza o corpo, devagarzinho, sobre a pele dele, que inflama. Jogam-se na cama, enfurecidos, e explodem ao mesmo tempo, arfantas, cansados, amantes.

No quarto, então, tudo é silêncio. Ao dentro, dois corações descompassados parecem encontrar-se num mesmo ritmo. O suor dele na pele dela. A boca dele na boca dela. O prazer dele dando prazer a ela. Plenitude.

Ela volta pra casa relembrando os detalhes e se delicia. Deita na cama, brinca com as pernas, endiabrada, planejando as minúcias do próximo encontro. Outro bar, outras músicas, mesmo amante. Adormece, tranqüila e sedenta, desejando as mãos dele no corpo dela. Fantasia.


Mariana Lira

enviada por Adoráveis Dragões






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