Nome: Ador�veis Drag�es
Idade: Na flor dos 25
Moro em: Pernambuco.
Gosto de: Cerveja, cinema, boa conversa, boa literatura e, sem falso moralismo, sexo
N�o Gosto de: Gente besta


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03/02/2007 08:45
Às vezes, quando estou sozinha, o meu coração tece histórias mirabolantes sobre
meus heróis e monstros imaginários. Se emociona sozinho, chora sozinho, teme sozinho.
Por que é assim que a gente se sente a partir de determinado momento da vida. De repente,
percebemos que o tempo passou, e passou depressa demais. Percebemos, também, que as travessuras
da infância, ou os jogos tolos e inúteis da adolescência já não são mais perminitos ou se quer tolerados.
Até nossos sorrisos parecem ser controlados, pois temos a terrível obrigação de lidar com problemas,
ter respostas para tudo e estar sempre dispostos a entrar em guerras intermináveis. Aí, a gente percebe
que virou adulto.

Quando eu penso nisso, lembro de meus desejos juvenis, nos quais eu encarava a "adultêz" como uma forma de
libertação. Coisa de jovem, eu acho. Pensamento de quem ganha mesada e acha as broncas dos pais um saco. Aos 15,
queremos os 18. Quando chegamos lá, queremos ir mais longe ainda. Somente após os 25, quando a vida nos engole,
de forma traiçoeira e insana, é que começamos a avaliar a idéia de uma contagem regressiva. Um retorno no tempo
que nos possibilite sair do furacão e ir direto para o seio materno, onde tudo é seguro.

Hoje, tenho tantas obrigações que não são minhas. Preciso ganhar dinheiro, trabalhar oito horas por dia, correr
apressada, mesmo sem nada pra fazer, e manter sempre guardada uma cara séria o bastante para ser vista com respeito.
Precisamos, infelizmente, começar a duvidar da vida e dos novos amigos, a fim de mantermos intactas as nossas integridades
profissionais e pessoais. Então, entendemos que, a partir de agora, seremos palco de uma luta eterna entre mente e coração, razão e emoção, responsabilidade e brincadeira, a infante e a adulta.

Gostaria de ter mais tempo de cuidar e brincar com este meu eu que mentên-se, agora, encolhido e escondido num recôndito
obscuro de mim. Seus brinquedos estão espalhados, cravados como farpas por meu corpo inteiro, para que eu sempre me lembre
daquilo tudo o que perdi. Por-do-sol no fim da tarde; sorvete derretido aos domingos; pesseio com a vovó no parque; brincadeiras sem compromisso com os amigos. O primeiro beijo, acanhado. O primeiro sarro, safado. A primeira transa, cheia de magia; a primeira amiga em quem a gente confia, de verdade.

Agora, eu preciso correr. correr pra colocar comida na mesa e preparar o terreno para aqueles que um dia tomaram nossos lugares. Correr para ganhar espaço nesse mundo, cada vez mais fechado. Correr, voar à velocidade da luz, mais rápido do que ela, a fim de poder aproveitar os parcos momentos na transição de meus tempos e espaços. Enquanto isso, meu coração segue sozinho, imaginando fantasias, ventindo-se de desejos e deixando pegadas imaginárias na minha história, aquela que eu gostaria de ter vivido.

Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões






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