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| Nome: Ador�veis Drag�es |
| Idade: Na flor dos 25 |
| Moro em: Pernambuco. |
| Gosto de: Cerveja, cinema, boa conversa, boa literatura e, sem falso moralismo, sexo |
| N�o Gosto de: Gente besta |
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08/02/2007 09:51
Francisco sentou-se, despojado, à mesa que beira a passarela de Boa Viagem. Pediu ao garçom a cerveja costumeira, cruzou as pernas, nos lábios o velho cigarro, e pôs-se a esperá-la, como sempre. Já era conhecido até mesmo dos clientes mais cativos. Sabiam que, todos os dias, àquela mesma hora, Francisco repetia o ritual na esperança de avistá-la, por um segundo apenas.
A mulher que havia roubado toda a sua paz, destruído seus objetivos e feito dele ator coadjuvante de sua própria vida, lhe apareceu em sonho anos atrás, perfumando suas noites vazias com o cheiro safado da sua pele, canelada e febril. Ele passava o dia desejando estar entre suas coxas, solícitas e volumosas, ou sugando-lhe os lábios carnudos e muitos vermelhos. Sabia-se feliz somente nos seus sonhos, quando na presença extasiante dela.
Ele observava, tristonho, as moças desfilando desinteressadas pelo calçadão. Olhava bem fundo em cada um dos olhos, analisando cada centímetro dos corpos de suas musas desconhecidas, mas nunca encontrava os olhos dela. Quando a espera findava em nada, como, aliás, sempre acontecia, ele terminava a noite embriagado e choroso, na esperança vã e tola de encontrá-la em suas fantasias.
Naquele dia, não sentiu nada espetacular ou diferente. Acordou à hora de sempre, vestiu as mesmas roupas, cumprimentou o dono da padaria, após engolir, às pressas, o pingado com pão dormido, e seguiu mecanicamente para o trabalho. Lá, cumprimentou os amigos de tantos dias sem graça, riu das mesmas piadas, contou as mesmas histórias desgastadas e sentou-se em sua mesa, à espera do término de seu calvário.
Quando o relógio bateu às 16 horas, ele apressou-se em ser o primeiro a sair porta à fora. Entrou no carro, desleixado, desrespeitou algumas leis de trânsito, e correu em direção ao seu ponto de observação, delírio e desespero. Quando o primeiro gole de cerveja fez o percurso natural através da garganta, ele avistou-a aproximando-se lentamente. Sua pele muito morena contrastando com o branco do vestido esvoaçante. Ela vinha como em seus sonhos, felina e faceira, como se deslizasse ao invés de caminhar. Seus quadris erigiam círculos perfeitos e até o ar parecia acompanhar seus movimentos sinuosos e perfeitos.
Ele manteve o copo de cerveja parado no ar, quase estático, ouvindo apenas os batimentos acelerados do próprio coração. Não conseguiu pensar em nada, não via e nem ouvia nada. Naquele momento também não era nada, era apenas ela. Era completamente dela.
Francisco prendeu a respiração quando ela chegou mais perto, quase tocando-lhe os lábios. Olhou-o, então, profundamente em seus olhos, tascando-lhe o primeiro derradeiro beijo. Sorriu um sorriso safado e perdeu-se traiçoeira na pequena multidão daquele fim de tarde.
Quando recobrou os sentidos, Francisco se sentiu liberto. Engoliu, tranqüilo, o último gole de cerveja, quase fervente, pagou a conta e foi-se embora, com a certeza absoluta e reconfortante de ter recobrado sua vida inteira.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
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