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| Nome: Ador�veis Drag�es |
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02/02/2007 09:36
Meu dodó
Dia desses, lendo uma crônica do Max Gehringer, guru do mundo corporativo, eu conheci o Dodó. O dodó, segundo o Max, era um passarinho completamente maluco, habitante solitário da ilha Maurício, pertinho de Madagascar, e dono de uma característica singular: além de doido, era extremamente inocente. O bicho era tão inocente que, 100 anos após a chegada dos colonizadores àquela ilha, foi extinto por não saber defender-se dos recém-chegados predadores.
Pois bem. Quando terminei de ler o texto, extintivamente pensei em meu pai. Ele é um cara boa praça, bonachão, que balança a barriga quando rir e adora cozinhar para os amigos, familiares e agregados. Não faz muito tempo, ele resolveu ser empresário depois de ser demitido da empresa para a qual se dedicou durante 23 longos anos.
E também tem vejam a coincidência -, uma característica peculiar para o mundo empresarial: preocupa-se, às vezes em demasia, com o crescimento, o sucesso e a qualidade dos produtos do outro. Comportamento, nos dias de hoje, quando o lucro está em primeiro lugar, também considerado uma tremenda inocência.
No impulso, enviei-lhe o texto na esperança de que ele avaliasse sua postura e entrasse na briga com os dois pés. Fi-lo com a melhor das intenções, mas, como a gente sabe, de boas intenções o inferno está cheio. Por que, afinal de contas, não há nada de errado em preocupar-se com o outro, torcer pelo sucesso e crescimento alheio. Isto, na verdade, na pior das hipóteses, é louvável.
Hoje eu acordei pensando nisso e me arrependi de ter-lhe enviado tais palavras. Peguei-me desejando que nada mudasse, que ele continuasse em sua estrada a servir como um bom exemplo de sucesso às custas do sucesso alheio. Quis, lá no fundo, que meu pai continuasse a ser um dodó, e desse mais ênfase ao coração do que ao dinheiro, pois isso é o que mais admiro nele. Seu coração. O maior coração do mundo.
Mariana Lira
enviada por Adoráveis Dragões
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